O prazo de entrega do IR começou em 23 de março e vai até o dia 29 de maio.
A mecânica do cálculo do Imposto de Renda 2026 continua a mesma de anos anteriores. As principais mudanças em relação à declaração de 2025 estão na faixa de isenção — que subiu de R$ 2.259,20 para R$ 2.428,80 no ano passado — e nas parcelas a deduzir.
O aumento da faixa isenta foi confirmado em abril de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio de Medida Provisória (MP). A mudança daquele ano passou a valer para a declaração de 2026.
Na prática, a medida fixou a faixa de isenção do IR em R$ 2.428,80. Para alcançar quem ganhava até R$ 3.036 (equivalente a dois salários mínimos à época), o governo criou um desconto automático de R$ 607,20, aplicado na base de cálculo do imposto.
Esta reportagem detalha os cálculos válidos para os rendimentos de 2025, declarados no Imposto de Renda de 2026. A ampliação da isenção para quem ganha até R$ 5 mil, em vigor neste ano, só terá impacto nas declarações a partir de 2027.
Como fazer o cálculo do imposto?
A conta do IR depende de uma tabela dividida em quatro faixas de renda, com uma alíquota progressiva que vai de 7,5% a 27,5%. A faixa máxima atinge os salários acima de R$ 4.664,68.
Veja abaixo as faixas e as respectivas alíquotas em vigor em 2025:
Faixa 1: até R$ 2.428,80: isento
Faixa 2: de R$ 2.428,81 até R$ 2.826,65: 7,5% | dedução: R$ 182,16
Faixa 3: de R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05: 15% | dedução: R$ 394,16
Faixa 4: de R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68: 22,5% | dedução: R$ 675,49
Faixa 5: acima de R$ 4.664,68: 27,5% | dedução: R$ 908,73
O imposto não é cobrado sobre todo o salário. Descontos como o INSS são abatidos antes do cálculo. Além disso, o IR é progressivo: cada alíquota incide apenas sobre a parcela da renda que se enquadra em cada faixa.
Quem recebeu R$ 4 mil por mês em rendimentos tributáveis em 2025, por exemplo (e se enquadrava na faixa 3 após o desconto automático de R$ 607,20), não pagava 15% sobre toda a parte tributável do salário. (veja o passo a passo do cálculo mais abaixo)
Pelas regras da Receita, os primeiros R$ 2.428,80 ficaram isentos. O que passou desse valor e não superou os R$ 2.826,65 (o limite da faixa 2) foi tributado em 7,5%. Já o que superou o limite da faixa 2, mas não o da faixa 3, pagou 15%, e assim sucessivamente.
Veja o exemplo abaixo, que considera um contribuinte sem dependentes.
Exemplo de cálculo do IR para rendimentos tributáveis de R$ 4 mil
|
Faixas do IR |
Parcela salarial em cada faixa |
Alíquota |
Imposto pago |
|
1 |
até R$ 2.428,80 |
isento |
zero |
|
2 |
R$ 397,85 |
7,5% |
R$ 29,84 |
|
3 |
R$ 566,15 |
15% |
R$ 84,92 |
|
4 |
zero |
22,5% |
zero |
|
5 |
zero |
27,5% |
zero |
|
Total |
R$ 3.392,80 |
Alíquota efetiva: 2,86% |
Total pago: R$ 114,76 |
Fonte: Receita Federal
Na prática, a conta pode ser feita multiplicando o valor tributável pela alíquota cheia referente à faixa do IR. Em seguida, basta subtrair do resultado a dedução que corresponda à mesma faixa.
Relembre os valores de dedução:
Faixa 1: zero
Faixa 2: R$ 182,16
Faixa 3: R$ 394,16
Faixa 4: R$ 675,49
Faixa 5: R$ 908,73
O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Mauro Silva, explica que o cálculo pode ser feito com o seguinte passo a passo (para o mesmo exemplo de R$ 4 mil):
R$ 4.000 - R$ 607,20 (valor tributável menos o desconto automático) = R$ 3.392,80;
R$ 3.392,80 (faixa 3) x 15% (ou 0,15) = R$ 508,92;
R$ 508,92 - R$ 394,16 (dedução da faixa 3) = R$ 114,76 — total do imposto pago no mês.
O valor final é o mesmo que aparece na tabela mais acima, elaborada a partir do simulador da Receita Federal. Quem quiser, pode utilizar a ferramenta online para fazer o cálculo. Clique aqui para acessar.
Fonte: g1- André Catto.