Realizado no sábado, 3 de outubro, no Teatro CIEE, encontro reuniu jovens profissionais, lideranças e representantes de entidades para discutir os caminhos da profissão e as competências que ganham espaço em um mercado em transformação
O 2º Fórum Ibracon Jovem, realizado no sábado, 3 de outubro, no Teatro CIEE, em São Paulo, reuniu estudantes, jovens profissionais, lideranças e representantes de entidades para discutir os caminhos da carreira em Auditoria Independente, o desenvolvimento de novas competências e os impactos da inteligência artificial sobre a profissão.
Na abertura institucional, o presidente do Ibracon – Instituto de Auditoria Independente do Brasil, Sebastian Soares, destacou o protagonismo das novas gerações na continuidade e no fortalecimento da profissão. “A nossa profissão está em boas mãos. Nos dá bastante alegria quando a gente vê um grupo de jovens tomando propriedade dessa agenda e dando continuidade. A nossa profissão é relevante e ela continuará sendo relevante e está sendo entregue às mãos de vocês, jovens, que vão dar continuidade no protagonismo da profissão.”
Também participaram da abertura Joaquim Bezerra, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC); Heloísa de Castro, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP); Antoninho Trevisan, fundador da Trevisan Escola de Negócios; e Carla Bezerra, vice-líder do Comitê Gestor do Ibracon Jovem.
Joaquim Bezerra relacionou o desenvolvimento dos novos profissionais ao próprio papel desempenhado pela Auditoria Independente no ambiente de negócios. “A Auditoria ajuda a reduzir as assimetrias de informação e a ampliar a transparência no ambiente de negócios no Brasil. Por isso, precisamos preparar quem está chegando à profissão. Os países mais desenvolvidos do mundo são os países mais auditados. A programação de hoje segue esse caminho: o caminho da preparação, o caminho da qualificação.”
Para Heloísa de Castro, as discussões sobre carreira precisam acompanhar as transformações pelas quais passa o mercado. “Falar sobre carreira também é falar sobre inovação, tecnologia, inteligência artificial, novas competências e, principalmente, sobre estar preparado para as transformações da nossa profissão”, afirmou.
Carla Bezerra apresentou a campanha institucional “Auditoria Fortalece Confiança” como um dos fios condutores do encontro, conectando temas como transparência, credibilidade, ceticismo profissional e confiança aos debates realizados durante a tarde.Competências para os líderes da próxima década
O primeiro painel, “As Competências que Vão Definir os Líderes da Próxima Década”, reuniu David Fernandes, membro do Comitê Gestor do Ibracon Jovem; Maria Julia Cruz Esteves de Sá, embaixadora do Ibracon Jovem; Katiucya Manfredini, coordenadora do CFC Jovem; e Alexandre Carvalho, editor-chefe das revistas Você RH e Você I.A.
Entre os temas discutidos estiveram capacidade de adaptação, pensamento crítico, desenvolvimento humano, tecnologia e as competências necessárias para liderar em um cenário de mudanças constantes. “As principais tendências exigidas atualmente são a capacidade de adaptação e a atenção ao bem-estar das pessoas. Os líderes precisam cada vez mais tomar decisões que vão mostrar o rumo do negócio num cenário dominado pelas incertezas”, afirmou Alexandre Carvalho.
Katiucya Manfredini ressaltou que a tecnologia deve ser utilizada para potencializar a atuação humana. “O profissional que desenvolve sua inteligência tecnológica consegue melhorar não somente a sua velocidade, porque não é sobre substituir o trabalho humano, mas é sobre usar o seu tempo a seu favor”, disse.
David Fernandes destacou que a formação de um líder exige tempo e desenvolvimento contínuo. “Para ser líder, você precisa desenvolver competências. Para desenvolver competências, você precisa de tempo. Tempo para aprender, tempo para ouvir, tempo para conseguir levar uma conversa difícil adiante, para ter um bom feedback, para ouvir uma opinião contrária.”Formação, inglês e oportunidades internacionais
O segundo painel, “Carreiras Sem Fronteiras: Certificações, inglês e Oportunidades Globais”, discutiu os caminhos para ampliar possibilidades profissionais e preparar jovens para um mercado cada vez mais conectado internacionalmente.
Participaram Giselle Teixeira, líder do Comitê Gestor do Ibracon Jovem; Fernando Chiqueto, diretor de Desenvolvimento Profissional da 5ª Seção Regional do Ibracon; Maria Clara Cruz, embaixadora do Ibracon Jovem; e Mônica Vargas, superintendente do CIEE.
Giselle Teixeira compartilhou sua trajetória profissional e destacou que o desenvolvimento de uma carreira ocorre de forma gradual, por meio da preparação e da exposição a novas experiências. “A auditoria me mostrou que uma carreira é construída aos poucos, com curiosidade, preparação e exposição a novas oportunidades. Comecei sem experiência, buscando conhecer o mercado, e, ao longo da trajetória, cada desafio e cada aprendizado me deram confiança para alcançar novas oportunidades, inclusive internacionais.”
Ao falar sobre o desenvolvimento do inglês, Giselle ressaltou a importância de buscar situações de aprendizado ainda antes de se sentir totalmente preparado, acompanhando reuniões e observando profissionais mais experientes.
Mônica Vargas chamou atenção para o que as organizações buscam em profissionais em início de carreira. Segundo ela, mais do que experiência prévia, empresas procuram jovens dispostos a aprender. “Sejam curiosos. Despertem o que há de melhor na trajetória de alguém que está aprendendo. Esse é, de fato, o caminho da busca pelo conhecimento”, afirmou.
Fernando Chiqueto destacou uma característica da Auditoria Independente especialmente relevante para quem está começando a carreira: a possibilidade de conhecer diferentes indústrias, áreas e modelos de negócio, ampliando repertório e ajudando o jovem profissional a identificar seus próprios interesses.
Inteligência artificial exige conhecimento e ceticismo
A inteligência artificial foi o tema central do terceiro painel, “Inteligência Artificial na Prática: Como se Tornar um Profissional Relevante na Era da Automação”.
Participaram Gabriel Brandi, representante da equipe vencedora do Hackathon 2026; Ruy Luiz de Paula, sócio de firma de auditoria associada; Cassio Ramos, embaixador do Ibracon Jovem; Shirley Silva, diretora de Desenvolvimento Profissional do Ibracon; e Felipe José da Silva Júnior, vice-coordenador da Comissão de Tecnologia e Inovação e da Comissão CRCSP Jovem.
Shirley Silva chamou atenção para a necessidade de manter o ceticismo profissional também na interação com ferramentas de inteligência artificial. “A inteligência artificial responde com um nível de segurança tão grande que, principalmente para quem é mais jovem, pode parecer que você está conversando com o sócio sênior da firma e que basta seguir o que ele está dizendo. Não façam isso. Não simplesmente sigam. Sejam céticos. Questionem.”
Segundo a diretora, a capacidade de analisar, criticar e validar as respostas fornecidas pelas ferramentas permanece como parte fundamental da atuação profissional.
Ruy Luiz de Paula destacou que o uso da IA pelas organizações ainda exige estruturação, definição de orientações e investimento em educação. Já Gabriel Brandi alertou para a importância da formação técnica dos estudantes diante da expansão dessas ferramentas. “Se colocarmos no mercado estudantes que não tenham uma base sólida para revisar aquilo que a inteligência artificial produz, acabaremos entregando produtos que não passaram por uma revisão adequada”, afirmou.
Felipe José da Silva Júnior reforçou que a inteligência artificial deve ser tratada como uma ferramenta de apoio, sem retirar do profissional a responsabilidade sobre análise, ética e julgamento.
Curiosidade e disposição para aprender
A programação foi encerrada com o talk inspiracional “Minha Jornada Profissional: Lições que Gostaria de Ter Aprendido na Faculdade”, conduzido por Ligia Costa, sócia de firma de auditoria e ex-embaixadora do Ibracon Jovem.
Ligia destacou uma mensagem especialmente direcionada aos profissionais que estão começando suas trajetórias. “Você não precisa saber tudo no início da carreira. O que faz a diferença é ter proatividade, curiosidade e disposição para aprender, porque as ferramentas mudam, mas sempre será preciso entender os problemas e exercer o julgamento profissional.”
No encerramento, Carla Bezerra convidou os participantes a transformar os aprendizados do Fórum em reflexão sobre os próximos passos da própria trajetória. Sebastian Soares também voltou a destacar a confiança nas novas gerações. “Você olha para este grupo de jovens, realmente engajados, e pensa no futuro. E percebe que essa profissão é relevante e vai continuar sendo muito relevante”, concluiu o presidente do Ibracon.
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Fonte: Ibracon