Sala da Presidência

Editorial

Artigo de 25/4/2019

A contabilidade mais viva do que nunca!

Marcia Ruiz Alcazar*

Algo que tem preocupado muito o mundo corporativo é a alta taxa de mortalidade das empresas, que se dá justamente pela falta de conhecimento e aplicação de todo o potencial da Contabilidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 60% das empresas brasileiras encerram suas atividades em menos de cinco anos.

Desse modo, é necessário entender que o profissional contábil é um conselheiro da saúde financeira de qualquer gestão corporativa. Além de fornecermos informações necessárias para a prosperidade de uma empresa, também auxiliamos nos processos de concorrência, nas necessidades de aperfeiçoamento das tecnologias, bem como na globalização de mercados, sempre com a finalidade de adequar os processos de tomadas de decisão aos objetivos da empresa e à nova realidade de mercado.

Se antes a Contabilidade era vista apenas como um sistema de informações financeiras e tributárias, obrigatório em qualquer empresa, hoje é mais do que apenas análise de números e fábrica de relatórios. Nós, profissionais da contabilidade, somos responsáveis pela prosperidade de toda e qualquer gestão corporativa. Uma contabilidade ética e responsável, realizada por um profissional devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), evita a mortalidade de empresas e gera trabalho, renda e prosperidade, onde quer que esteja.

Um dia para chamar de nosso

O nosso dia nasceu pela brilhante mente do senador e Patrono dos Contabilistas, João de Lyra Tavares, que, em 25 de abril de 1926, instituiu o Dia do Contabilista Brasileiro. "Trabalhemos, pois, bem unidos, tão convencidos de nosso triunfo, que desde já consideramos 25 de abril o Dia do Contabilista Brasileiro", disse João de Lyra Tavares, na oportunidade.

No entanto, a regulamentação da profissão só aconteceu em 30 de abril de 1931, com o Decreto n.º 20.158 que oficializou as ciências contábeis no Brasil. O dia da homenagem foi oficialmente instituído em 23 de maio de 1979, pela Lei Estadual n.º 1.989. Os anos se passaram, nossa profissão evoluiu com os tempos e desde 2012, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) renomeou a data para o “Dia do Profissional da Contabilidade”.

Por definição, um profissional da contabilidade é um termo usado para se referir conjuntamente a um contador — que possui formação superior em Ciências Contábeis — e a um técnico em contabilidade — que tem formação técnica cursada durante o ensino médio. Mas a definição, por si só, não abrange a ampla gama de ocupações e funções desses profissionais dentro das empresas, muito menos resume nossa longa caminhada, pavimentada por grandes conquistas.

Neste dia 25 de abril, data tão especial para nós, temos que lembrar as inúmeras vitórias dos profissionais da contabilidade. Cito, ao menos, duas delas. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Contabilidade é uma das profissões que mais empregam no país, com 93% dos profissionais formados em Ciências Contábeis atuando no mercado. Outra conquista é a queda do mito de que a profissão contábil era território masculino. As mulheres lutaram por seu espaço e, atualmente, somos mais de 222 mil mulheres profissionais da contabilidade, de um total de 520.573 profissionais, o que representa 47% dos profissionais, em todo Brasil. No Estado de São Paulo, somamos 63.143, de um total de 151.898 profissionais.

Esta, também, é uma data de reflexões. É normal que, em tempos de inteligência artificial, questionemos a sobrevivência de algumas profissões e naturalmente isso ocorre entre os profissionais da contabilidade. Porém, a tecnologia e suas facilidades devem deixar de ser uma preocupação e passar a serem vistas como aliadas, pois apesar de auxiliarem nos preenchimentos de lacunas informacionais, jamais substituirão o olhar analítico, detalhista, responsável e humano de um profissional da contabilidade.

Uma prova de que não devemos nos preocupar com os rumores de uma possível extinção da profissão contábil é a nossa recente participação no World Congress of Accountants (WCOA 2018), em Sydney, Austrália, com a presença de quase seis mil profissionais, de 131 países. Lá, pudemos constatar e provar que a Contabilidade é uma ciência que exige estratégia, pois toda informação obtida – mesmo que seja por inteligência artificial – deverá ser conferida, analisada e aprovada pelo profissional da contabilidade. Os profissionais que se atualizarem constantemente continuarão a brilhar em suas carreiras.

Os contadores continuarão vitais para a saúde financeira e tributária das empresas, sendo responsáveis pela gestão de qualquer patrimônio com responsabilidade, zelo e transparência, seja daqui 10, 20 ou muitos anos mais. Pensando nisso, o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo vem trabalhando arduamente não só para contribuir com o desenvolvimento profissional, mas para obtermos mais conquistas para a Contabilidade paulista e para continuarmos a ser referência de ética e responsabilidade, onde quer que estejamos, sempre.

Portanto, curta seu dia com a alegria de saber que o profissional contábil é vital não só para as empresas, mas para toda a sociedade. E que a profissão contábil está mais viva do que nunca, agregando valor às empresas e aos gestores e líderes para tomada de decisão assertiva, visando resultados corporativos positivos e crescentes.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP)

Artigo de 19/3/2019

A mercantilização de serviços contábeis coloca em risco toda sociedade

Marcia Ruiz Alcazar*

Cada vez mais o mercado é invadido por soluções tecnológicas inovadoras que visam à melhoria e automação de processos até então dependentes de intervenção humana para melhorar a organização da informação e a qualidade da decisão.

Sem dúvida, isso é transformador e nós não podemos ser inocentes ao ponto de combater ou restringir avanços tecnológicos que proporcionam valor agregado, mobilidade, independência e que fortalecem a relevância técnica, científica e intelectual de uma profissão, como é a profissão contábil regulamentada em nosso país.

Porém, cada vez mais abordagens que visam à mercantilização de serviços e, o pior, que anunciam serviços genéricos como se fossem serviços contábeis, invadem as redes sociais e canais de comunicação desqualificando toda concorrência saudável e tradicional, além de colocar em risco a qualidade dos serviços para toda sociedade. Esse chavão de que no mundo das startups se pede perdão, mas não se pede permissão, é lamentável. É preciso ser responsável e, acima de tudo, respeitoso.

No Brasil, temos o privilégio de ter assegurado em nossa Carta Magna a livre concorrência, mas, por incrível que pareça, pessoas e empresas interessadas em lucrar, a qualquer custo, com recursos de investidores sem qualquer compromisso com a sociedade ou economia local, extrapolam a liberdade de expressão ao promoverem uma concorrência desleal, incentivando a prática predatória de preços, ao financiarem campanhas publicitárias que afrontam inclusive a ordem tributária ao oferecer propaganda irresponsável de pejotização através de abertura de empresa gratuita.

Infelizmente, não se trata de obra de ficção, um personagem de filme onde se pode dizer que qualquer semelhança é mera coincidência. As campanhas têm autoria, assinatura e seus criadores são profissionais de comunicação ávidos por lucro a qualquer custo, para terem um case de sucesso em busca de prêmios para promoção pessoal.

A que ponto chegamos? Quando o que mais precisamos é de estímulo ao empreendedorismo, empregabilidade e orientação à sociedade quanto à importância da contabilidade para sobrevivência das empresas vimos estratégias mercadológicas na contramão de tudo isso, colocando em risco patrimônio de pessoas inocentes que sonham ter uma empresa e usam suas economias sem ter a menor ideia dos riscos e obrigações que assumirão pra vida toda.

No Brasil, mais de 60% das empresas fecham antes de completar cinco anos. Essa pesquisa, feita pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017, mostra que a burocracia e o emaranhado de regras tributárias em que se embolam as empresas e onde os profissionais da contabilidade, que lidam com essa burocracia tributária, são obrigados a seguir 3.790 normas. Isso equivale a 5,9 quilômetros de folhas impressas, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Abrir empresa não é prerrogativa exclusiva do serviço contábil regulamentado, mas de certo o profissional da contabilidade está muito bem preparado para analisar, orientar e planejar o plano de negócios da melhor forma. Além disso, abrir empresa não é como comprar um produto em liquidação. Pejotização é crime contra a ordem tributária.

As inúmeras ações milionárias que empresas globais de tecnologia respondem pelo comércio predatório são a prova de que nem tudo que é feito em nome da inovação tem propósito social, de distribuição de renda e de concorrência leal.

Automação, integração, padronização, inteligência artificial e robôs de fato ajudam no trabalho, mas nenhum deles assume responsabilidade profissional, civil ou criminal.

A regulamentação de uma profissão protege a sociedade e, nesse sentido, o Sistema CFC/CRCs tem sido diligente ao tomar todas as medidas administrativas cabíveis à luz de uma legislação estabelecida em 1946 e que teve uma atualização importante do Código de Ética agora em 2019.

A essência do Código de Ética é mostrar a visão, missão e valores da sociedade ou de um grupo de pessoas. É a declaração formal de suas expectativas que serve para orientar as ações das pessoas e explicitar a postura destas diante dos diferentes públicos com as quais interage.

A Contabilidade é uma profissão regulamentada que tem seu exercício atrelado aos preceitos éticos estabelecidos no Código de Ética. Desta forma, ela atua como fator de proteção da sociedade. O exercício ilegal da Contabilidade, por sua vez, não segue estes princípios e, por isto, não pode ser vendido como “serviços contábeis”.

A conduta ética é muito necessária para que se atribuam valores às situações, com o fito de que a máquina continue a servir o homem (inclusive como disciplinam as Três Leis da Robótica) e nunca o contrário!

Uma sociedade organizada precisa de profissionais qualificados, registrados e devidamente regulamentados. Ainda temos muito a conquistar em termos de melhoria e autonomia no ambiente de negócios e, quanto mais inseguro for esse ambiente, mais proteção a sociedade precisará.

Automação, inteligência artificial e plataformas são sempre bem-vindas, mas acompanhadas de proteção, de segurança quanto à conformidade e responsabilidade técnica explícita e quanto à qualidade da informação. O barato sempre sai muito mais caro! Evite armadilhas!

Seu nome é seu maior patrimônio e o profissional da contabilidade devidamente registrado no CRC é o único ser humano que tem a prerrogativa legal para prestar serviços contábeis de verdade.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo

CRCSP

Artigo de 8/3/2019

Agir com o coração, um verdadeiro ato de coragem

Marcia Ruiz Alcazar*

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” Essa frase da Madre Teresa de Calcutá deve servir de inspiração para todas as mulheres que em 8 de março são homenageadas pelo Dia Internacional da Mulher.

As contadoras brasileiras podem comemorar uma importante conquista desde o dia 7 de fevereiro de 2019. Até esse dia, o profissional, independente de gênero, era designado como contador. Atendendo reivindicações das profissionais, o presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Zulmir Ivânio Breda, fez a entrega da primeira carteira com a designação contadora. Coube-me a honra de ser a primeira contadora brasileira a ter a nova carteira.

A partir de agora todas nós podemos usar a designação correta na carteira de identidade profissional do CRC como CONTADORA ou TÉCNICA em contabilidade. Para nós mulheres que já somos 47% da profissão, não é a conquista de uma simples letra A, mas tudo que está representado nesse momento, em que mais do que nunca, se faz necessário fortalecer a manifestação do feminino.

Sempre marcamos presença na Contabilidade, hoje em maior número, derrubando o mito de a contabilidade ser uma profissão para homens. O CRCSP foi criado em dezembro de 1946. Em 1947, o CRCSP registrou a primeira mulher profissional da contabilidade, Dvoira Nudelman.

Em 1958, o CFC aposentou o termo “guarda-livros”, como era designado o profissional da contabilidade, e passou a adotar o termo contabilista para “contador” e “técnico em contabilidade”. Em 1963, o CRCSP registrava sua primeira contadora, Maria Aparecida Nunes Leonel, bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Mackenzie.

No Brasil, atualmente somos 222.399 mulheres profissionais da contabilidade do total de 520.563 profissionais. No Estado de São Paulo, somamos 63.143 do total de 151.898 profissionais. Esse aumento de profissionais é reflexo da escolha da profissão: Ciências Contábeis é o 5º curso universitário mais buscado por mulheres, segundo pesquisa do Ministério da Educação (MEC).

Nas eleições do Sistema CFC/CRCs, realizadas em outubro de 2017, nós mulheres fomos candidatas em vários estados. E, pela primeira vez na história dos 27 Conselhos, fomos eleitas em sete deles: em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Roraima e Rio Grande do Sul.

No CRCSP, no Conselho Diretor, dos cinco componentes, duas são mulheres; eu sou a presidente e a conselheira Cibele Pereira Costa é a vice-presidente de Registro. Dos 72 conselheiros efetivos e suplentes, 15 são mulheres.

Em 2018, realizamos quatro edições do evento “Universo Contábil com Elas”, com o intuito de reunir profissionais mulheres, com conteúdo técnico focado no trabalho do dia a dia, dando condições de prepará-las para o mercado de trabalho. Profissionais homens também participaram desses eventos, porque são sempre bem-vindos a todas as nossas atividades. Em 2019 o “Universo Contábil com Elas” percorrerá as 25 cidades cujas delegacias do CRCSP são comandadas por mulheres.

Assim também como serão bem-vindos os profissionais, empresários e estudantes de todos os gêneros para o Fórum Estadual da Mulher Contabilista que realizaremos concomitantemente com o Summit Contábil de Santos. O evento será no dia 15 de março de 2019, no Hotel Parque Balneário, na bela cidade litorânea.

O Summit é um encontro com painéis com os temas mais atuais e de maior interesse para a classe contábil. O evento vale 6 pontos para cumprimento da NBC PG (R3), norma de Educação Profissional Continuada. Se você ainda não se inscreveu acesse agora o site convecon.com.br e venha participar.

É preciso criar oportunidades para que as mulheres empreendedoras ocupem seu espaço e mudem o panorama de negócios. Acreditamos que a manifestação do feminino elimina barreiras e cria oportunidades para homens e mulheres juntos transformarem padrões sociais, econômicos e políticos.

É preciso também ter coragem para fazer a diferença no mundo, mas não aquela coragem agressiva que todos estão acostumados, me refiro a coragem sutil vinda do próprio significado da palavra “agir com o coração”, esse sim é o verdadeiro ato de coragem.

Ao homenagearmos as mulheres neste 8 de março, desejamos além do amor, flores e respeito, que todos os direitos conquistados sejam fortalecidos. E que todos possamos seguir unidos pela paz, contra todas e quaisquer formas de violências, independente de gênero.

Um feliz Dia Internacional da Mulher para todos!

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo

CRCSP

Artigo de 5/2/2019

De guarda-livros à mineração de dados, profissão contábil se mantém em alta

Marcia Ruiz Alcazar*

A pauta do dia sempre traz questões de tecnologia, e se existe uma profissão que se transforma com a evolução da economia, sem dúvida, essa é a profissão contábil. Regulamentada no Brasil em 1946 pelo Decreto-Lei n.º 9.295, que estabeleceu prerrogativas exclusivas ao guarda-livros, hoje se destaca em um momento em que nem livros temos mais para guardar.

Somos uma das profissões com maior nível de empregabilidade. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 93% dos profissionais formados em Ciências Contábeis atuam no mercado. Um contingente com mais de 500 mil profissionais da contabilidade devidamente habilitados para exercer a profissão, o Brasil chama a atenção no cenário internacional pelo exemplo em organizar e disciplinar o exercício da profissão, contábil estabelecendo diretrizes válidas em todo o território nacional para atender as mais de 20 milhões de empresas no país. Os dados são impressionantes.

Por outro lado, o ônus de uma sociedade que está à margem e muito distante da Contabilidade resulta numa taxa de mortalidade de empresas bastante preocupante, ainda mais em um momento em que se incentiva o empreendedorismo como estratégia de sobrevivência e melhoria da empregabilidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 60% das empresas brasileiras encerram suas atividades em menos de cinco anos. Esses dados impressionam mais ainda.

Neste contexto, a obrigação dos profissionais da contabilidade aumenta significativamente, pois ao assumir a responsabilidade técnica de um novo empreendedor, assume também o desafio de prepará-lo como gestor, pois ainda temos o desgosto de enfrentar um ambiente de negócios burocrático, complexo, com tantas regras fiscais difíceis de entender, e mais complicado de explicar, para quem só quer uma renda e honrar seus compromissos com segurança e tranquilidade.

É consenso que a tecnologia a serviço da Contabilidade muito auxilia, pois possibilita que o profissional da contabilidade se desenvolva aconselhando, inspirando e alertando sobre questões do dia a dia relacionadas à performance e desafios da gestão, como se conselheiro consultivo fosse de todas as empresas que assessora.

O problema é que toda plataforma ou serviço de contabilidade digital foca muito na parte burocrática e quanto mais burocrático for o ambiente, melhor será para quem tem fome e sede em explorar esse mercado fiscal brasileiro.

Contabilidade nada tem a ver com burocracia, nota fiscal ou cálculo de impostos. O governo deveria simplificar, desburocratizar e dar condições gratuitas para que todo empreendedor possa, de forma autônoma, se relacionar com o Fisco sem intermediários.

E se não existisse a nota fiscal? Sabia que no Brasil ela é obrigatória desde 16 de novembro de 1970 pelo Decreto-Lei n.º 1.133 e surgiu com um propósito bem diferente dos dias atuais? Para hoje capturar essa informação bruta se exigem conhecimentos básicos em tecnologia, haja vista a quantidade de ferramentas no mercado pelo fato de o governo não dispor gratuitamente o acesso à informação do contribuinte. Ora, se o dado é público por que premiar novos intermediários em um processo que deveria ser transformado? Qual o sentido dessas plataformas ditas como inovadoras, e que de inovação não trazem nenhum mudança no modelo de gestão, ao contrário, desvalorizam a presença do profissional da contabilidade e colocam os empreendedores à margem de uma consultoria orientativa, comprometendo sobremaneira o seu maior patrimônio, nome no mercado, reservas financeiras e até mesmo a sua credibilidade.

O cenário possível e ideal de ser construído é acabar com a pesada burocracia da nota fiscal. Se em muitos países a emissão da nota fiscal fica a critério de cada empresa, por que isso não pode ser aplicado no Brasil? Nos Estados Unidos, o Internal Revenue Service, um dos departamentos da Receita Federal americana, exige que seja mantido o livro caixa à disposição da fiscalização. Como esse sistema é baseado na honestidade do empresário, pode-se argumentar que haverá sonegação. O ilícito existe, apesar da fiscalização rigorosa no nosso país, e não deve servir de desculpa para continuarmos com um sistema que tem provocado uma guerra fiscal predatória entre os estados brasileiros.

Contabilidade para todos deve estar na ordem do dia. Precisamos nos dar conta que a mortalidade de empresas é assustadora e a maior causa disso é a falta de entendimento de como a Contabilidade é vital para o progresso e segurança do patrimônio tanto de interesse público quanto do privado.

Ilusão é acreditar em plataformas que encantam como o canto da sereia, propondo a substituição do contador, valorizando apenas o que se chama de inteligência artificial e outras funcionalidades que devem fazer parte do dia a dia como facilitadores e não como predadores. Cuidado, porque o barato, no final, sempre sai bem mais caro! Se de graça nem injeção se toma na testa como alguém propõe ao mercado abertura de empresa gratuita? Embora essa atividade não seja uma prerrogativa dos contadores, é muito triste ver o quanto a sociedade fica refém desse tipo de abordagem predatória e de marketing agressivo como se abrir uma empresa fosse comprar um produto em liquidação. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça, que nos proíbe de criar uma tabela de referência de preços, representa toda e qualquer instituição que ameaça a livre concorrência, mas nunca comparece para combater esse tipo de abordagem predatória e que invade de forma inoportuna todos os dias as mídias digitais e de comunicação.

Lembre-se que onde tem ordem tem progresso e onde tem progresso tem contabilidade feita por profissionais devidamente habilitados e registrados com CRC regular, desde a abertura de toda empresa.

Encerro esse artigo inspirada no pensamento do escritor Elbert Hubbard: “Uma máquina consegue fazer o trabalho de 50 homens ordinários. Nenhuma máquina consegue fazer o trabalho de um homem extraordinário”.

Os profissionais da contabilidade são extraordinários. Valorize seu registro profissional, ele é o seu maior patrimônio e tenha orgulho de ter CRC e pertencer a uma das profissões mais respeitadas e valorizadas desde os primórdios da humanidade.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP), contadora CRCSP 160313.

Artigo de 4/1/2019

Contadores dispostos à mudança tem um futuro próspero

Marcia Ruiz Alcazar*

Começamos 2019 com tudo novo: novo governo, novas propostas para que o Brasil siga o caminho do desenvolvimento, com as reformas que se fazem necessárias e a diminuição dos gastos do governo. Apoiamos uma política tributária mais justa, o combate à corrupção e a aplicação dos recursos públicos de forma correta e transparente, como quer o novo governo.

Nós contadores temos as informações e os instrumentos de controle que podem ajudar a passar a limpo as contas públicas, alicerçadas na governança, no compliance, nas práticas regulatórias, com responsabilidade e ética.

De tempos em tempos, aparecem notícias profetizando que esta ou aquela profissão vai acabar. De fato, com a evolução tecnológica, muitos profissionais acabaram perdendo seus cargos – caso das telefonistas, dos acendedores de lampiões ou dos vendedores de enciclopédias.

Certamente, não é o caso dos profissionais da contabilidade. Apesar de já estarmos em plena 4ª Revolução Industrial, com emprego de inteligência artificial, o trabalho do profissional da contabilidade requer continuidade da aprendizagem, empatia com o cliente e decisões analíticas.

Não apenas não seremos extintos como pudemos comprovar na nossa recente participação no World Congress of Accountants (WCOA 2018), em Sydney, Austrália, com a presença de quase 6.000 profissionais de 131 países presentes, que a contabilidade é uma ciência que exige estratégia, pois toda informação obtida – mesmo que seja por inteligência artificial – terá que ser conferida, analisada e chancelada pelo profissional da contabilidade.

Nós queremos contribuir para uma política econômico-social nova para o nosso país porque somos uma profissão que passou por uma série de mudanças que ajudaram a melhorar nosso desempenho profissional, contribuiu para o crescimento dos empreendimentos e pode ajudar a salvar nosso país!

Os contadores passaram de relevantes a essenciais. Somos profissionais de tomada de decisão e não apenas de organização da informação, pois esta já está sendo estruturada e organizada pelas plataformas de reconhecimento digital da informação, os Robotic Process Automation (RPA), a Artificial Intelligence (AI), a Internet of Things (IOT), entre tantas outras soluções tecnológicas exponenciais.

Se o mundo não acabou no ano 2000 como alguém pode afirmar que a profissão contábil vai acabar em poucos anos? Em 1946 conquistamos a regulamentação da profissão contábil em nosso país como guarda-livros e hoje, nem livros temos mais para guardar.

Que a transformação sempre presente em nossas vidas traga a simplificação desejada e que a automatização de processos impacte positivamente na vida de todos os contadores.

Um Brasil melhor precisa de mais contadores habilitados colaborando com um ambiente de negócios muito mais harmonizado e menos burocrático. Uma sociedade qualificada entende e respeita a contabilidade e não a confunde com burocracia brasileira.

Contabilidade evidencia, revela, sinaliza, demonstra, inspira, simplifica a vida e dá condições plenas para que todo e qualquer patrimônio seja gerido com responsabilidade, zelo e transparência.

Quem procura só preço e compara a contabilidade a qualquer coisa chata com certeza arca com o ônus em ignorar como nós contadores somos protagonistas em atuarmos com transparência na proteção do interesse público.

Onde há ordem existe progresso e onde há progresso tem sempre contabilidade reconhecida, valorizada e feita por profissionais da contabilidade devidamente habilitados.

Não existe fé pública e nem fé tecnológica sem a presença do profissional da contabilidade. Nada substitui a essência existente na subjetividade das decisões. Essa capacidade humana todos nós profissionais da contabilidade já detemos e precisamos sempre nos orgulhar de ter um CRC.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP).

Artigo de 19/12/2018

Inovando, integrando e humanizando: a identidade da Gestão 2018-2019 no CRCSP

Marcia Ruiz Alcazar*

Chegamos ao fim do primeiro ano da Gestão 2018-2019, um ano repleto de atividades, novidades e emoções que compartilhamos com a transparência que é a marca do CRCSP. Colocamos em prática o lema da nossa gestão: “Movido por conquistas. Inovando pela profissão” e implementamos os valores com os quais nos comprometemos ao definir o lema desta gestão: Inovação, Integração/Colaboração e Humanização.

Estivemos nas 18 cidades onde há delegacias regionais da entidade levando informação para delegados, representantes de entidades, autoridades locais e profissionais da contabilidade. Os encontros fizeram parte da campanha CRCSP em Ação e atraíram 524 participantes. Fizemos uma prestação de contas do que havia sido realizado até aquele momento e apresentamos os projetos para os próximos meses.

Todas as nossas participações nas inúmeras atividades que desenvolvemos sempre tiveram como objetivo apresentar informações relevantes ao profissional da contabilidade, a razão da existência do CRCSP, e levar suas reivindicações a quem de direito.

Por isso, são inúmeras as manifestações que apoiamos, atendendo à demanda da classe contábil. Assinamos o manifesto à Receita Federal da 8ª Região pedindo um novo prazo para entrega do eSocial. Também apoiamos ofício do Conselho Federal de Contabilidade, dirigido ao secretário da Receita Federal, solicitando prorrogação do prazo de entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD) do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped).

Em defesa das micro e pequenas empresas, estivemos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo participando da Audiência Pública sobre o projeto de incluir essa modalidade de empresas nas licitações do governo estadual, de autoria do deputado estadual Itamar Borges, do MDB. Também fomos signatários do manifesto das entidades que compõem o Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor contra o veto presidencial ao refinanciamento das dívidas das micro e pequenas empresas.

Pela simplificação e desburocratização de abertura, registro e fechamento de empresas, levamos nossos pleitos à Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) e ao Departamento Nacional de Registro Empresaria e Integração (DREI).

Contra o aumento dos impostos municipais às empresas de contabilidade, levamos à Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal de São Paulo o Manifesto da Classe Contábil contra o ISS uniprofissional.

Para que o profissional da contabilidade possa contribuir e opinar sobre as normas contábeis emanadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, realizamos audiências públicas na sede do CRCSP sobre: Laudo de Avaliação Emitido pelo Contador – CTA 20 (R1) e CTG 2002; Normas da Área Pública; Norma de Educação Profissional Continuada e Interpretação Técnica ICPC 22 – Incerteza sobre Tratamento de Tributos sobre o Lucro.

Neste ano, sediamos o 6º Encontro de Estudantes de Contabilidade do Estado de São Paulo e 4º Encontro Nacional de Jovens Lideranças Contábeis, com a participação de mais de 2.000 pessoas.

Outro sucesso foi o XI Encontro Nacional de Coordenadores e Professores do Curso de Ciências Contábeis, que reuniu acadêmicos de todo o Brasil para discutir o presente e o futuro do ensino da Contabilidade.

Também em nível nacional, a sede do CRCSP foi escolhida para a realização do 1º Seminário da Federação Nacional das Juntas Comerciais (Fenaju) de Registro Empresarial e Desenvolvimento. O evento foi organizado pela Federação Nacional das Juntas Comerciais (Fenaju), em parceria com o CRCSP, a Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Relações Empresariais Internacionais (Ibrei), o Instituto Brasileiro de Registro Empresarial (Ibremp) e o Instituto Fenacon.

O CRCSP também esteve presente nos principais eventos internacionais da Contabilidade. Participamos das discussões globais dos temas mais atuais da nossa profissão na conferência anual do Institute of Management Accountants (IMA), nos Estados Unidos; curso da Association of Chartered Certified Accountants, na Inglaterra; no Congresso Mundial de Contadores (Word Congress of Accountants – WCOA, na sigla em inglês), na Austrália; no VIII Cumbre de las Américas (Cúpula das Américas), na Guatemala; na 35ª reunião anual do Grupo de Trabalho Intergovernamental de Especialistas em Padrões Internacionais de Contabilidade (Intergovernmental Working Group of Experts on International Standards of Accounting and Reporting – Isar), na Suíça; XIV Congresso Internacional de Contabilidade do Mundo Latino (Prolatino), no Rio de Janeiro.

Para proteção e valorização do profissional da contabilidade, em 2018 assinamos um convênio com a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB- SP); com o Instituto de Registro de Títulos e Documentos de Pessoas Jurídicas do Brasil (IRTDPJBR) e Centro de Estudos e Distribuição de Títulos e Documentos de São Paulo (CDT); com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz); com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB); com a Prefeitura do Município de São Paulo e com a Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).

Para a 26ª Convenção dos Profissionais da Contabilidade (CONVECON), que será realizada entre 4 e 6 de novembro de 2019, no Expo Center Norte, em São Paulo, criamos a comunidade CRCSP Razão de Ser, que promoverá conteúdo, relacionamento e networking ao segmento da Contabilidade.

Iniciamos também o Summit Contábil, encontro de profissionais, empresários e estudantes da contabilidade, de servirão de base para escolha dos temas da 26ª CONVECON. Com grande sucesso, realizamos em dezembro deste ano o Summit Contábil de Guarulhos e em 2019 estaremos em Bauru, Santos, Campinas, Osasco e São José dos Campos.

Com o firme propósito de integrar e colaborar com o Sistema CFC/CRCs, disponibilizamos nossa plataforma digital de autoestudo para mais de uma dezena de Conselhos Regionais de Contabilidade. Humanizamos nosso atendimento aos inadimplentes com a campanha CRCSP Tudo em Dia, com diversas opções de pagamento. Intensificamos nossas ações fiscalizatórias prévias, no sentido de esclarecer e educar o profissional da contabilidade, sem puni-lo. Em respeito ao profissional legalizado, aumentamos a fiscalização para quem pratica concorrência desleal, com mais de 6 mil autuações. Passamos a transmitir importantes palestras pela internet em tempo real para diversas cidades do estado. Todas as transmissões estão disponíveis no canal YouTube do CRCSP.

Iniciamos o projeto CRCSP Mais Você e realizamos nove eventos nos quais homenageamos 102 profissionais com maior tempo de registro e entregamos a carteira de identidade profissional a 627 profissionais com primeiro registro no CRCSP. Foram eventos de muita emoção e de muito orgulho de sermos profissionais da contabilidade!

Enfim, trabalhamos muito em 2018, e tudo o que fizemos foi com alegria e determinação. O filósofo Aristóteles dizia que “o prazer no trabalho aperfeiçoa a obra”. Que venha mais trabalho em 2019 para fazermos, juntos, cada vez mais o nosso melhor!

Para saber mais sobre a Gestão 2018-2019 veja este vídeo.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP).

Artigo de 29/10/2018

Meu Brasil brasileiro!

Marcia Ruiz Alcazar*

Terminadas as eleições de 2018, os vencedores somos todos nós, eleitores brasileiros, independente de partido, pois ganhamos a liberdade e a democracia, nossas maiores conquistas.

Nós brasileiros somos os verdadeiros protagonistas desta nação e devemos nos manter diligentes para que a ordem e o progresso se restabeleçam, a ética seja elevada, a educação básica em todos os níveis seja priorizada e a corrupção seja combatida. O momento requer respeito e união por um Brasil melhor.

Como profissionais, sabemos que o desafio da responsabilidade fiscal está prioritariamente no equilíbrio das contas públicas.

Precisamos que os governos federal, estaduais e municipais sejam conscientes de que nossa empresa Brasil precisa rever seus critérios, leis e portarias que dizem respeito a orçamento, patrimônio e finanças. Os conflitos regulatórios existentes burocratizam o processo de controle e a divulgação das informações e impedem o crescimento da nação.

A transparência necessária às boas praticas da gestão eficiente só se alcança com contabilidade. A iniciativa privada foi obrigada a adotar padrões internacionais desde 2008, enquanto o orçamento da área pública é regido pela Lei 4.320 desde 1964. Somos reféns de uma pauta do legislativo, aguardando há anos o Projeto de Lei Complementar n.º 295 ser aprovado para resolver a base legal tão necessária para a contabilidade pública no que tange à convergência e harmonização orçamentária, de finanças e planejamento.

Que todos os eleitos reconheçam a relevância da utilização da contabilidade em seus governos porque Contabilidade é ordem e também progresso.

Governo e oposição devem agora se unir pelo único propósito de reconstruir um novo Brasil, gigante pela própria natureza. O Brasil que queremos!

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP)

Artigo de 25/9/2018

O futuro da contabilidade pertence ao profissional que se reinventar

Marcia Ruiz Alcazar*

O desenvolvimento de novas tecnologias que passam a fazer parte do nosso dia a dia costuma assustar diversos profissionais. Além da necessidade de adaptação, é comum surgir o receio de que o trabalho executado passará a ser realizado por uma máquina. Na área contábil, a apreensão não é diferente, ainda mais em meio à transformação do mundo 4.0 sobre o qual paira a ameaça de substituição dos trabalhadores pela inteligência artificial.

É fato que as máquinas foram incorporadas ao nosso trabalho, mas isso de modo algum significou o fim da nossa profissão. Pelo contrário, ao nos desvencilharmos de alguns processos mais mecânicos, ganhamos tempo para realizarmos outros de cunho intelectual. Deixamos para as máquinas o que pode ser automatizado e nos debruçamos sobre o que precisa de interpretação. O resultado disso é que nossa profissão não acabou. Ela evoluiu.

Se o desassossego persiste devido às mudanças que continuam em curso, pelas vivências em cursos de gestão e inovação contábil realizados na Universidade de Stanford (Vale do Silício), no Massachusetts Institute of Technology(MIT) e, futuramente, no Imperial College, em Londres, afirmo, sem receio algum, que nossa profissão não irá acabar. Ao invés disso, ela continuará avançando.

O modelo convencional de organização e processamento das informações será substituído. Vejam o que aconteceu com sistema financeiro, com os meios de pagamento etc. O serviço contábil também compõe a indústria de serviços financeiros. Temos hoje as criptomoedas, como bitcoins, ethereum, entre outras, e a revolucionária tecnologia blockchainque é o nosso velho conhecido livro de razão contábil.

A tecnologia vai colaborar muito com a atividade desenvolvida pelo contador. Imagine, por exemplo, que todos os contribuintes apresentarão dados estruturados, vinculados e validados. O tempo oneroso de higienização da informação que é dispendido no processo contábil será eliminado. Não será mais necessário classificar, conciliar, elaborar análises. A informação estará lapidada exigindo do profissional muito mais assertividade, visão crítica, questionamentos e raciocínio lógico. A ciência contábil poderá ser exercida sem desvios de foco e tempo e energia não serão mais desperdiçados com as diversas obrigações fiscais impostas pelo governo brasileiro.

Pela natureza de nosso trabalho, temos acesso a diversos dados dos nossos clientes. Sabendo que a moeda do futuro é a informação, precisamos nos dar conta disso e aproveitarmos as inúmeras oportunidades de prestarmos serviços únicos e personalizados para nossos clientes.

O Estado de São Paulo possui cerca de 20 mil organizações contábeis e muitos se questionam sobre o futuro desses empresários. Uma saída é desenvolver e oferecer aos clientes ações relacionadas à economia e consumo colaborativos. Plataformas de mineração de dados poderão indicar necessidades comuns e o empresário contábil poderá ser o grande mentor desse novo tempo para as micro e pequenas empresas que, segundo o Sebrae, representam 99% dos 6,4 milhões de estabelecimentos no país e precisam manter sua contabilidade terceirizada.

Nosso trabalho como contadores é relevante para o mundo dos negócios. Precisamos nos valorizar. Porém, para isso, é necessário também nos reinventarmos neste mercado em constante evolução se quisermos acompanhar o novo mundo 4.0. O processo de estruturação da informação tem cada vez menos valor. A moeda do futuro já é o dado estruturado.

A formação dos novos profissionais deve focar no estudo das normas contábeis e no desenvolvimento do raciocínio lógico e do senso crítico. Ao mesmo tempo, é preciso desmistificar o que é mineração e engenharia de dados, trabalhar com soluções inovadoras que substituem todo e qualquer processo manual, fomentar a economia colaborativa e desenvolver, além de networking, a viabilidade de coworkingpara incentivar a relevância da profissão ainda na universidade.

O governo brasileiro de alguma forma impulsionou isso e ao implementar no país o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), que nos apresenta uma grande oportunidade. O olhar da responsabilidade subjetiva, delegado a nós, profissionais contábeis, com a implementação das normas internacionais (IFRS), jamais será substituído por um robô.

Embora a relevância do valor humano na tomada de decisões não perca seu valor, não podemos dizer o mesmo do profissional que ficar em sua zona de conforto. O domínio da ciência contábil não será suficiente para assegurar a permanência no mercado de trabalho se o profissional não entender que vivemos uma revolução e investir em conhecimentos na área de tecnologia.

Neste 22 de setembro, data em que comemoramos o Dia do Contador, quero parabenizar os quase 95 mil contadores no Estado de São Paulo e mais de 350 mil em todo o país que escolheram a ciência contábil para suas vidas. Que estas reflexões sobre o futuro da nossa profissão sejam estímulos para desenvolvermos todo o nosso potencial. Somos profissionais resilientes, não tememos as disrupturas.

Como bem escreveu o professor de Literatura Fernando Teixeira de Andrade:

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos.”

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo - CRCSP

Artigo de 14/9/2018

Marketing contábil: precisamos falar desse assunto

Marcia Ruiz Alcazar*

Nosso Velho Guerreiro, o popular Chacrinha, já dizia que “quem não se comunica se trumbica”. Também ouvimos sempre que “a propaganda é a alma do negócio”. Nós, do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, concordamos com esses dois ditados populares.

Para que sejam conhecidos, os serviços contábeis devem ser divulgados. Afinal de contas, toda empresa tem o direito de divulgar sua marca e os seus serviços, captar novos clientes, manter os antigos e crescer.

Sem falsa modéstia, fazemos parte de uma das profissões liberais mais poderosas do país. Somos 523.616 profissionais brasileiros – 150.935 só no Estado de São Paulo. Temos 65.317 empresas de prestação de serviços contábeis – 19.767 são paulistas, segundo dados de agosto de 2018.

Somos inovadores – passamos da escrita com caneta bico de pena às mais modernas ferramentas tecnológicas. O profissional da contabilidade hoje é figura indispensável para a boa gestão das empresas e entidades.

É preciso proclamar aos quatro ventos esta nova configuração do profissional da contabilidade: segundo dados do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), 67% têm formação universitária e 43% são mulheres (sem esquecer que hoje 69% das vagas em cursos de Ciências Contábeis são ocupadas por mulheres), neste caso contrariando a máxima que “contabilidade é profissão masculina”.

Hoje os profissionais da contabilidade fazem parte da elite executiva das empresas e deve partir de cada um a sua valorização, que começa em participar do Programa de Educação Profissional Continuada, mantendo-se sempre atualizado com os assuntos da profissão. Em ter contato com a sua comunidade, participando de atividades voluntárias. E também em se vestir adequadamente e ter um espaço agradável para receber seus clientes.

O marketing profissional saudável é válido e deve ser uma constante para o profissional que quer imprimir uma marca de sucesso nos seus negócios. Como tudo na vida, também o marketing deve ser feito com ética. Profissionais e empresários da contabilidade devem ficar atentos: o marketing de serviço contábil é disciplinado pelo Código de Ética Profissional do Contador.

O CRCSP está desenvolvendo a campanha CRCSP por Você: todas as semanas divulgamos um dos serviços e atividades feitos especialmente para o profissional da contabilidade.

Um dos primeiros tópicos que estamos abordando é sobre a atenção que o profissional deve ter a estas regras:

  • o profissional da contabilidade não deve oferecer ou disputar serviços profissionais mediante aviltamento de honorários ou em concorrência desleal;

  • o profissional deve abster-se de fazer referências prejudiciais ou de qualquer modo desabonadoras;

  • o profissional não deve formular juízos depreciativos sobre a classe contábil;

  • é vedada qualquer ação cometida que resulte em ato que denigra publicamente a imagem do profissional da contabilidade.

O CRCSP tem identificado propaganda irregular nas mídias digitais: LinkedIn, Instagram e até e-mails são ferramentas que têm servido para o oferecimento de serviços a preços baixos e totalmente fora dos padrões éticos exigidos pelo CFC.

A mobilização da classe contábil via sindicatos, associações e profissionais individuais que formalizaram denúncias, foram suficientes para sensibilizar o CFC a tomar as medidas cabíveis inclusive a da revisão dos dispositivos legais, pois o Decreto-Lei n.º 9.295/1946 naturalmente não prevê a prestação de serviços na modalidade digital.

Como órgão de fiscalização todo CRC deve obediência ao sigilo processual e por isso não divulga nada contra ninguém enquanto a decisão não transitar em julgado, assegurando em toda fase processual o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Além disso, vale lembrar que o Brasil tem em sua Constituição Federal o artigo 170 que estabelece a livre concorrência e nenhuma lei, código de ética ou conduta pode contrariar o que é assegurado como direito.

O mercado está em transformação digital exponencial e exigirá de todos nós adaptação às novas modalidades. Quem não ousar se transformar certamente ficará à margem desse novo tempo.

Eu conheço e confio em todo trabalho que o CFC e os CRCs vêm fazendo dentro dos limites legais para preservar a reserva de mercado existente, valorizando o profissional da contabilidade em todas as suas prerrogativas profissionais, combatendo a concorrência desleal seja pelo exercício ilegal da profissão ou pela prática de aviltamento de honorários devidamente comprovados.

Em 2017, o CRCSP realizou um mutirão de fiscalização em 66 cidades, autuando 516 empresas pela prática de serviços contábeis irregulares. Até agosto de 2018, o mutirão de fiscalização do CRCSP já percorreu 137 cidades, autuando 582 empresas irregulares.

Esperamos que os profissionais que reclamam continuem buscando os canais formais para comunicação das irregularidades que encontrarem, independente da jurisdição envolvida. O CRCSP recebe e checa as denúncias feitas por meio do e-mail comunicairregular@crcsp.org.br

Convidamos todos os todos os profissionais para que se unam pela valorização profissional denunciando quem pratica concorrência predatória. Uma classe unida fica muito mais fortalecida e pode oferecer serviços transparentes para a sociedade.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP)

Artigo de 17/8/2018

Excesso de exigências burocráticas contribuem para fechamento de empresas no Brasil

Marcia Ruiz Alcazar*

Mais de 60% das empresas brasileiras fecham antes de completarem cinco anos, segundo pesquisa do IBGE, divulgada em 2017. Os dados mostram que, dentre as causas do fechamento, a burocracia na operação da empresa impede o bom andamento dos negócios. Os empreendedores e gestores no Brasil dedicam uma enorme quantidade de tempo - em torno de 2.000 horas por ano, segundo o Banco Mundial, apenas para lidar com questões burocráticas e com o pagamento de impostos.

No lugar de focar na gestão e operação do seu negócio, empreendedores sofrem com a complexidade tributária. No Brasil, são criadas 30 novas regras tributárias todos os dias, ou mais de uma norma a cada hora. Existem em vigor 63 tributos e 97 obrigações acessórias, que devem ser enviados ao Fisco com prazos pré-estabelecidos, sob pena de multa.

É esse emaranhado em que se embolam as empresas e onde os profissionais da contabilidade, que lidam com essa burocracia tributária, são obrigados a seguir 3.790 normas, o que equivale a 5,9 quilômetros de folhas impressas, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Exportados para sistemas desenvolvidos pelo Fisco, com transmissão via internet, nem por isso a burocracia diminuiu. A via eletrônica continua complexa e burocrática, serve para aumentar o custo da fiscalização, gerando um valor maior para as empresas, que devem ter mais sistemas e mais controle para prestar ao Fisco.

O profissional da contabilidade brasileiro precisa ter um conhecimento enciclopédico: deve conhecer a legislação federal, as 27 legislações tributárias estaduais e as 5.570 municipais!

As novas normas surgidas todos os dias, com várias exceções à regra, cada uma com um cálculo diferente, de cada regulamentação específica, que muitas vezes devem ser enviadas em duplicidade - pois nem todos os sistemas dos estados estão integrados -, obriga os profissionais e empresários da contabilidade a trabalharem muito mais para o governo do que para seus clientes.

Segundo o Banco Mundial, o Brasil é o campeão de desperdício de tempo no cálculo e pagamento de impostos. As 1.958 horas gastas por ano nessa tarefa colocam o Brasil como lanterninha no cumprimento das obrigações tributárias. A Bolívia ocupa o penúltimo lugar com 1.025 horas por ano; a Argentina gasta, em média, 311,5 horas/ano; o México, 240,5 horas/ano e os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 160,7 horas anuais.

Obrigação acessória não deve ser obrigatória. Já basta cumprirmos a obrigação principal de pagar impostos abusivos neste país.

Não criamos resistência alguma para que a plataforma do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) desse certo, participamos de comitês técnicos com postura sempre colaborativa em busca de uma ambiente de negócios muito mais favorável, acreditando que as antigas obrigações acessórias seriam extintas. Mas hoje temos mais estas obrigações acessórias: Sped NF-e, Sped ECD, Sped ECF, Sped Contribuições, Sped Fiscal, Sped eSocial.

Na prática fomos enganados, acumulamos função de controle fiscal com essa imposição. Estamos atolados e sobrecarregados com tanta redundância de informação. Até quando?

Agora queremos o FIM! FIM das multas das obrigações acessórias e, principalmente, o FIM das antigas obrigações acessórias. Em tempos de Sped não podemos aceitar esse acúmulo de função de controle fiscal. O que o governo precisa já tem, e com requintes de detalhes. Que ele se organize, estruture esses dados e pare de transferir para sociedade essa responsabilidade e esse custo desnecessário.

Sai governo, entra governo, o Brasil discute a necessidade de fazer uma reforma tributária e simplificar o pagamento de impostos. Atualmente, há uma proposta em análise no Congresso. O foco é a unificação de alguns impostos e fim de isenções fiscais. Mas não há previsão, no entanto, de redução da burocracia.

Antes de uma reforma tributária para redução de impostos, precisamos mesmo é que sejam revogadas todas as obrigações acessórias. É injusto exigir de todos, quando apenas poucos contribuintes são fiscalizados.

Será que existe algum candidato com essa coragem e vontade política? A sociedade clama por isso há décadas e é ignorada. A classe contábil, que é composta por 500 mil profissionais no Brasil, atende mais de 20 milhões de empresas, que ao todo empregam mais de 100 milhões de trabalhadores. Merece seu devido respeito, pois sabe com propriedade o que pede.

Vamos exigir isso de quem ousa pedir nosso voto!

Mais simples do que a reforma tributária é a revogação de todas as obrigações acessórias. Se é acessória, não deve ser obrigatória.

Esse não é o Brasil que queremos!

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP)

Este espaço é dedicado a artigos escritos pela presidente do CRCSP, Marcia Ruiz Alcazar. Temas atuais e de interesse da área contábil são abordados de maneira mais aprofundada, com o intuito de levar mais informação ao leitor e promover reflexões.