Sala da Presidência

Editorial

Artigo de 8/11/2019

Ano de eleição nos CRCs: chapas terão pelo menos 30% de participação feminina

*Marcia Ruiz Alcazar

Escolher seus representantes é um direito e um exercício de cidadania. Direito este que, neste ano, será mais uma vez exercido pelos contadores e técnicos em contabilidade de todo o país, ao elegerem os conselheiros que os representarão nos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs).

Em 2019, haverá eleições para eleger um terço do plenário. Coordenada pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a eleição em 2019 será em novembro e realizada por meio eletrônico, como acontece desde 2009, para facilitar a vida dos profissionais. O voto é obrigatório para todos os profissionais e facultado aos maiores de 70 anos.

O ato democrático de votar é um importante e essencial instrumento para o profissional da contabilidade participar da gestão do CRC de sua jurisdição. É fundamental informar-se durante todo o processo eleitoral, analisar as propostas de quem se candidata, seja como componente de chapa única ou de mais de uma chapa.

Neste ano, um dado importante servirá como ponto de equilíbrio entre os gêneros: para compor as chapas nas próximas eleições dos CRCs, deve-se cumprir 30% de participação do gênero oposto, tanto nos cargos efetivos como nos cargos suplentes. Mulheres e homens juntos com o mesmo propósito de defender as prerrogativas profissionais, proteger a sociedade e valorizar a profissão.

Em São Paulo, encabecei a chapa 1, vencedora das eleições de 2015 com 60% dos votos válidos, em uma disputa com duas chapas concorrentes para a composição do plenário do CRCSP. E ao ser eleita para presidir o Conselho paulista na gestão 2018-2019, reafirmei o compromisso de representar a todos os profissionais da contabilidade do Estado de São Paulo.

Em tempos de redes sociais, é preciso que os profissionais fiquem atentos e não levem a sério fake news, com distorção de informações levantadas por quem tem o único propósito de gerar instabilidade, polarizar opiniões e desviar do debate construtivo para análise de propostas viáveis e responsáveis.

Quem combate e não apresenta proposta não respeita a classe contábil, a instituição e ainda demonstra falta de conhecimento dos objetivos de uma autarquia federal como é o CRCSP, demonstrando com isso o único propósito de se promover levantando falso testemunho de quem assumiu e vem desenvolvendo um trabalho em prol da união, valorização e defesa das prerrogativas profissionais.

A transparência e a qualidade da gestão 2018-2019 podem ser conferidas por todos no relatório de 100 dias, no relatório de um ano, no Relato Integrado e na Carta de Servicos aos Usuários do CRCSP, no Portal Transparência, todos sob o lema adotado “CRCSP Movido por Conquistas. Inovando pela Profissão”.

Ao longo dos seus 73 anos de história, o CRCSP vem se destacando como referência na qualidade de sua gestão. Suas contas, auditadas sem nenhuma não conformidade, sempre foram aprovadas por auditorias internas e externas. Possuidor da certificação do Sistema ISO 9001:2015, desde 2000, vem sendo aprovado nas auditorias externas periódicas de supervisão, realizada pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini, atestando que o sistema da qualidade está implementado adequadamente e as boas práticas de gestão estão mantidas na organização.

Os conselheiros eleitos do CRCSP desenvolvem um trabalho voluntário, de grande responsabilidade, ético, responsável e consciente do que pode e deve ser feito, contribuindo e cumprindo com todos os compromissos assumidos, elevando o nome da classe contábil paulista e defendendo as prerrogativas da nossa profissão, para assim seguirmos e fluirmos em perfeita sintonia de propósitos até o término desta gestão.

Desejamos que as eleições de 2019 sejam ricas em debate construtivo e ético!

Exerça seu direito e vote!

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo – CRCSP.

Artigo de 2/10/2019

Um olhar pra baixo do tapete

*Marcia Ruiz Alcazar

Brasil e as reformas tão necessárias - um cheque em branco que nós cidadãos brasileiros não podemos assinar.

A unanimidade no entendimento de que a reforma tributaria deve proporcionar um ambiente muito melhor para desenvolvimento de negócios em nosso país é um fato. De acordo com o relatório Doing Business, emitido pelo Banco Mundial, o Brasil ocupa vergonhosamente a 109ª posição e o atual governo não medirá esforços para transformar essa realidade buscando medidas de simplificação para alcançar a 60ª posição e é exatamente isso que todos nós também queremos.

Isso significa posicionar nosso país em condições de competitividade internacional como nunca antes vivemos em nossa história, além de criar um cenário de confiança empreendedora, com regras claras, objetivas e de fácil entendimento.

Além disso, o desejo do governo em atender aos critérios definidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) exigirá empenho extra de todos os parlamentares para trabalharem com a devida prioridade nessa pauta de reformar, transformar e simplificar o que for necessário. Passar a faca para cortar toda gordura e desperdícios existentes.

Nesse sentido vem sendo dada ampla divulgação e publicidade à PEC 45. Representantes de todos partidos assinaram a proposta e na comissão de justiça, só o PSOL votou contra.

O que nós, cidadãos brasileiros, independente da profissão que exercemos, precisamos fazer é não nos importarmos com a consequência proposta de simplificação pela unificação de impostos, mas sim se essa proposta de fato assegura um ambiente seguro, simples e que incentiva o crescimento da economia de forma exponencial para dar aos brasileiros os direitos estabelecidos na Constituição Federal ao trabalho, educação, saúde e ordem social.

Em uma primeira análise observamos que existem muitos pontos positivos, com um discurso progressista interessante, especialistas e acadêmicos defendendo a ideia com testes matemáticos à prova de questionamentos e apresentando cenários com um futuro promissor, porém precisamos ficar atentos às fraquezas existentes que podem comprometer a estratégia tão desejada.

O período de dez anos é um exemplo. O prazo é insustentável. Manter dois sistemas de apuração de impostos é criar um manicômio fiscal. Período de adesão seria melhor do que de transição. Uma vez optado, segue a nova regra e apenas a nova regra.

O foco nos impostos sobre consumo - PIS, Cofins, IPI, ICMS, ISS – é insuficiente! Precisamos reformar o todo para buscar equidade na tributação que existe sobre a renda, propriedade, consumo e salários/previdência. Precisamos de ampla divulgação do todo. Existem várias propostas e estudos em andamento que precisam ser consolidados. Analisar isoladamente os efeitos de cada proposta não traz a segurança tão desejada.

A alíquota fixa para toda empresa, independente de segmento, porte e natureza jurídica, é injusta. É necessário assegurar tratamento diferenciado às PMEs assim como estabelece nossa Carta Magna, no Artigo 170, e limitar impacto tributário para garantir aos empreendedores brasileiros que a reforma não onerará ninguém além do que já se paga de impostos, deve ser compromisso de quem foi eleito pelo povo.

Políticas públicas de assistência social para população de baixa renda como medida de desoneração tributária são improdutivas porque podem estimular ainda mais a informalidade, indo na contramão do empreendedorismo. Uma coisa não se confunde com outra e manter uma estratégia tributária onde os diferentes são tratados como iguais nos preocupa bastante. Deve existir uma política de incentivo para pequeno se tornar grande ao invés de se manter pequeno eternamente.

A simplificação desejada pode ser alcançada com medidas imediatas se o governo de fato assumir papel de controle fiscal usando de forma mais eficiente o “big data Sped”, desonerando, como prometeu e ainda não cumpriu, o contribuinte de todas as obrigações acessórias, focando apenas na obrigação principal, o que certamente melhoraria imediatamente o ambiente de negócios. No Brasil se leva tempo pra declarar um imposto pago. Os estudos do Banco Mundial comprovam que são dispendidas quase 2.000 horas com as obrigações acessórias.

Por isso seria prudente a Reforma Fiscal acontecer antes de qualquer reforma tributária. Não é possível conviver em um país onde a lei por si só não basta e se criam decretos, medidas, portarias, instruções e soluções de consulta com força de lei criando uma dicotomia fiscal que não favorece ninguém. Nem o governo e muito menos o contribuinte. Do ponto de vista prático isso não requer mudança de lei, projetos ou medidas, basta revogar tudo que existe em termos de obrigações acessórias e confiar no contribuinte, pois o número de dados e informações existentes na NF-e já são mais do que suficientes para controlar o que precisa ser controlado por quem precisa controlar e fiscalizar.

Nós brasileiros não podemos assinar um cheque em branco e acreditar em estudos matemáticos que precisam de dois anos de testes, 10 anos de transição e 50 anos de consolidação. Não temos esse tempo pra esperar. O mercado mudou, os negócios digitais chegaram, a circulação de mercadorias e serviços se transformou e o consumo se materializa em outras dimensões.

Confiança, transparência e segurança são o que nós precisamos!

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo – CRCSP.

Artigo de 16/9/2019

Contadores são cada vez mais fundamentais na sociedade

*Marcia Ruiz Alcazar

Em 22 de setembro comemoramos o Dia do Contador. A data prestigia a criação dos cursos de Ciências Contábeis no Brasil, com a promulgação do Decreto-Lei n.º 7.988, de 22 de setembro de 1945.

Deixamos de ser guarda-livros, como a profissão era denominada então, e nos tornamos cientistas contábeis, fundamentais para o progresso de qualquer empresa ou entidade, de todos os portes e segmentos.

Além de reconhecer a importância da Contabilidade, o ato do então presidente Getúlio Vargas é um marco na evolução da profissão contábil, com a criação de um curso superior específico para nós contadores.

No ano seguinte, em 27 de maio de 1946, foi publicado o Decreto-Lei n.º 9.295, que regulamenta a profissão contábil e cria os Conselhos de Contabilidade no país. E em 14 de dezembro do mesmo ano, foi fundado o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo.

Com a regulamentação, a atividade contábil torna-se privativa dos contadores e técnicos em contabilidade, defendendo assim a sociedade contra o exercício ilegal da profissão por pessoas não capacitadas.

E nos anos seguintes, a profissão contábil não parou de evoluir. Passamos da contabilidade manual para modernos softwares contábeis e, nos dias de hoje, para aplicações de Inteligência Artificial, ao Big Data e à automatização de processos. Evoluímos e continuamos evoluindo dia após dia.

Outras inovações importantes foram a criação do Exame de Suficiência, a convergência das normas brasileiras de contabilidade aos padrões internacionais e o Programa de Educação Profissional Continuada, que nos diferenciam e valorizam no mercado de trabalho.

E esta evolução contínua é algo que nós do CRCSP buscamos sempre incentivar, com a realização de fóruns, seminários, reuniões técnicas e palestras, tanto na modalidade presencial como a distância. São centenas de atividades durante o ano, em diferentes regiões do estado.

A contínua evolução da nossa profissão também é percebida em questões como a equidade de gêneros. As mulheres representam hoje mais de 40% dos profissionais da contabilidade. Somos mais de 222 mil contadoras e técnicas em contabilidade, de um universo de 520 mil profissionais.

Reconhecendo a importância da crescente presença feminina na área contábil, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou em fevereiro que as mulheres possam utilizar a designação de categoria profissional no gênero correto. Somos “contadoras” e “técnicas em contabilidade” e este reconhecimento é muito importante para as profissionais do gênero feminino e para a classe contábil.

E com este espírito, de incentivar o aperfeiçoamento dos profissionais da contabilidade, faço um convite especial para os profissionais da contabilidade : inscrevam-se para a 26ª Convenção dos Profissionais da Contabilidade do Estado de São Paulo (CONVECON), que irá acontecer na capital paulista de 4 a 6 de novembro de 2019, no Expo Center Norte. As inscrições para a 26ª CONVECON podem ser feitas no site www.convecon.com.br.

O Dia do Contador é motivo de orgulho e deve ser prestigiado por todos, pois marca o início de uma longa caminhada de evolução e renovação constantes que a profissão trilhou nestes anos.

Neste dia 22 de setembro, quero parabenizar os mais de 95 mil contadores e contadoras paulistas e 350 mil em todo o país, que contribuem diariamente para o progresso do país.

* Contadora, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP).

Artigo de 16/7/2019

eSocial: verdades que precisam ser ditas

*Marcia Ruiz Alcazar

Acessória, conforme explica o dicionário, é secundária, menos importante.

Curiosamente, obrigação acessória, para o Código Tributário Nacional, é uma obrigação não patrimonial, com o objetivo de fornecer informações. Hoje, só no âmbito federal, existem mais de trinta obrigações acessórias, cada uma representando um tipo de encargo que exige determinadas informações, com prazos diversos, podendo ser mensal, anual ou de acordo com a data de vencimento do tributo que se deseja compensar.

Para o profissional da contabilidade não é uma tarefa fácil atender a cada uma dessas obrigações, pois tem de investir pesadamente no desenvolvimento e na adaptação dos seus sistemas e processos internos, adequá-los às exigências de cada obrigação, não podendo haver erro ou mesmo atraso na entrega, pois acarretará, como consequência, pesadas multas.

Vivemos na era digital, a Receita Federal usa a tecnologia para atingir mais rápido seus objetivos, acelerando a sistemática atual do cumprimento das obrigações acessórias transmitidas pelos contribuintes.

Em 2007, o Fisco instituiu o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), projeto integrado das administrações tributárias nas três esferas governamentais: federal, estadual e municipal.

A fiscalização, que antes acontecia com base em cruzamento de informações das diversas obrigações acessórias de forma manual e demorada, atualmente com o Sped já é possível de forma simples, rápida e eletrônica.  

O espaço conquistado pela participação ativa dos dirigentes, representantes e especialistas em Contabilidade sempre foi uma constante em todas as fases desse grande projeto Sped, com o intuito de colaborar na construção de um sistema que desonere, simplifique e facilite o acesso às informações e que está mais do que na hora do governo federal reconhecer e valorizar que o contribuinte, e especialmente o profissional da contabilidade, merece atenção especial, tratamento diferenciado com anistia de toda e qualquer penalidade enquanto durar a fase de implantação até as informações ganharem a consistência desejada.

Chegamos, sem dúvida, ao Big Brother Fiscal: o Fisco nos espia com o olho do software Harpia, aponta quando cada obrigação acessória deve ser enviada (cada uma delas com um prazo específico) e penaliza se houver atraso ou inexatidão na informação.

O big brother fiscal é uma injustiça, pois trabalhamos com uma caixa preta e apenas o governo tem acesso ao detalhamento das inconsistências. Isso deveria ser transparente para que o próprio contribuinte pudesse reconhecer e autorregularizar as eventuais inconsistências apuradas pelos cruzamentos.

Ou seja, contrariando o dicionário, para a Receita Federal obrigação acessória, além de ser muito importante, pode trazer arrecadação financeira.

Manter uma empresa em dia e regularizada perante o Governo é essencial para a saúde do negócio. Para isso, trabalham os profissionais da contabilidade, entre outras importantes ações, organizando e fazendo a declaração das obrigações acessórias das empresas.

Assim como o Sped foi implantado para facilitar o cruzamento de dados, para evitar crimes ou sonegações fiscais, em 2014 foi instituído o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Por meio desse sistema, os empregadores passam a comunicar ao Governo, de forma unificada, as informações relativas aos trabalhadores, como vínculos, contribuições previdenciárias, folha de pagamento, comunicações de acidente de trabalho, aviso prévio, escriturações fiscais e informações sobre o FGTS.

O CRCSP já se posicionou inúmeras vezes contra a burocratização e a favor de um ambiente de negócios que facilite o surgimento de novos empreendedores, fator essencial para tirar o país da longa crise econômica que atravessamos, alavancando a economia a um patamar mais sólido.

Por essa razão, não aceitamos o ônus de suportar sozinhos a implementação do eSocial com os problemas que tem apresentado. É inadmissível que o investimento de R$ 100 milhões, aplicado no desenvolvimento da plataforma, não contemple uma pronta intervenção em eventos como lentidão nos dias próximos ao prazo final, falta de comunicação à sociedade, correto escalonamento das empresas do Simples Nacional e a melhoria da divulgação, quando há qualquer erro no programa.

A falta de capacitação também é outro problema grave para quem precisa usar a plataforma do eSocial. As Entidades Contábeis têm feito sua lição de casa, promovendo atividades sobre o assunto para os profissionais da contabilidade. O CRCSP, apenas em 2019, já organizou cerca de 40 atividades sobre o assunto.

Somos fortemente a favor de todas as medidas pela desburocratização. Acreditamos que o objetivo do Governo Federal, ao criar o eSocial, é simplificar a prestação das informações, reduzindo a burocracia para as empresas. Queremos também transparência no repasse dos dados para a administração federal porque somos contra a corrupção e a sonegação.

Temos acompanhado o lento, trabalhoso e angustiante processo de adesão ao eSocial que profissionais e empresas de contabilidade têm enfrentado nos últimos meses. São inconsistências e dados duplicados, que travam o sistema e impedem o preenchimento do cadastro; a enorme quantidade de informações exigidas; mudanças constantes e a exigência de novas adaptações e o temor de multas.

Recebemos a boa notícia que mudanças ocorrerão no eSocial para simplificação e melhoria da plataforma, inclusive com uma nova composição do Comitê Gestor do eSocial. Essas mudanças só estão acontecendo porque as entidades da classe contábil se mobilizaram, realizaram articulações com os órgãos do Governo federal responsáveis pela plataforma, insistindo na melhoria da operacionalização do Sistema.

Esperamos que um investimento tão grande tenha os benefícios compartilhados não apenas pelo Fisco, mas também pelos profissionais que o tornam viável, pelos contribuintes e a sociedade. Não podemos, não queremos e não aceitamos ficar apenas com o ônus!

* Contadora, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP).

Artigo de 28/5/2019

A simplificação tributária e a liberdade de prosperar

Marcia Ruiz Alcazar*

Há duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que se tornaram os assuntos mais debatidos, questionados e até reivindicados pela sociedade ou boa parte dela nos últimos tempos: a Reforma da Previdência Social e a Reforma Tributária. A primeira tem por objetivo adequar o sistema previdenciário ao novo perfil da população brasileira, garantir o equilíbrio das contas do sistema e assegurar o pagamento das aposentadorias e pensões para todos os trabalhadores. Já a segunda trata, resumidamente, da simplificação do sistema tributário brasileiro, algo complementar ao proposto para a Previdência. E simplificar é a palavra e a ação da vez.

Como presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP), tenho trabalhado para contribuir com planos e projetos com foco na simplificação do ambiente tributário brasileiro, que é extremamente carregado e complexo. Prova disso é a participação do CRCSP na primeira reunião da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (Frepem), realizada no dia 9 de maio deste ano, que reuniu lideranças políticas, empresariais, acadêmicas e contábeis na luta contra o peso excessivo do Fisco na tributação brasileira e pela liberdade de empreendedorismo, seja para as micro e pequenas empresas, seja para as iniciativas individuais.

A simplificação é urgente e necessária! Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, mais de 60% das empresas fecham antes de completar cinco anos. A principal motivação para a morte das empresas é o emaranhado de regras tributárias, nas quais as empresas costumam se ver emboladas, e as quais os profissionais da contabilidade, que lidam com essa burocracia tributária, são obrigados a seguir. Para se ter uma ideia, são 3.790 normas, o que equivale a 5,9 quilômetros de folhas impressas, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

De acordo com o Banco Mundial, os empreendedores e gestores brasileiros são os que mais dedicam seu tempo para questões burocráticas e pagamento de impostos no mundo — em torno de duas mil horas ao ano. Em vez de focar na gestão e operação do seu negócio, a complexidade tributária faz com que os empreendedores brasileiros tenham que lidar com a criação de, em média, 30 novas regras tributárias todos os dias, ou mais de uma norma a cada hora. Atualmente, existem 63 tributos e 97 obrigações acessórias em vigor, que devem ser enviados ao Fisco com prazos pré-estabelecidos, sob pena de multa. Ou seja, é impossível prosperar em um ambiente tributário tão rígido e com normas, arrisco dizer, muitas delas, desnecessárias.

A simplificação de tais normas tributárias, não só desburocratiza e dá condições gratuitas para que todo empreendedor possa, de forma autônoma, se relacionar com o Fisco sem intermediários, mas também diminui as mortes de empresas e estimula continuamente o empreendedorismo, a empregabilidade e a prosperidade. Algumas dessas simplificações podem acontecer independentemente das reformas citadas. Um bom começo seria a extinção das multas e obrigações acessórias antigas e atuais, tais como o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). Esse tipo de norma, não só onera excessivamente o fundamental trabalho dos profissionais contábeis, como também impede que tenhamos um ambiente de negócios saudável, lucrativo e que favoreça investimentos.

Outra medida que significaria um passo a frente em direção à liberdade de prosperar, seria o fim da complexa burocracia da nota fiscal. Em diversos países, a emissão da nota fiscal fica a critério de cada empresa. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Internal Revenue Service, um dos departamentos da Receita Federal americana, exige que o livro-caixa esteja à disposição da fiscalização. Como esse sistema é baseado na honestidade do empresário, pode-se argumentar que haverá sonegação. No entanto, essa alegação não deve servir de desculpa para a manutenção de um sistema burocrático como o nosso. Afinal, nota-se que no Brasil, apesar da rigorosa fiscalização, o ilícito sempre encontrará formas de burlar as regras. Não podemos continuar com um sistema que nada mais tem representado do que uma guerra fiscal predatória entre os estados brasileiros e a perpetuação da dificuldade de empreender e investir.

Não podemos nos esquecer da Medida Provisória 881, de 30 de abril de 2019, popularmente conhecida como MP da Liberdade Econômica. Ela possui 17 pontos que conferem ao empreendedor maior liberdade para abrir e gerenciar o seu negócio, entre eles a liberdade de regularização societária, a liberdade de inovação e modernização, a digitalização de todos os documentos que antes eram obrigatoriamente físicos, entre outros. Além da desburocratização das normas e da descentralização do poder do Estado sobre o ambiente empreendedor, promovidas por essas medidas, há maior liberdade para que o profissional contábil otimize seu tempo, ao trabalhar com menos obrigações, e agindo como um conselheiro que alerta, reflete — e faz refletir — sobre questões do dia a dia relacionadas à performance e desafios da gestão, como um guia protetor e mantenedor da saúde tributária de todas as empresas que assessora.

Alguns dos pontos que também devem ser discutidos, como cenários possíveis e ideais de serem construídos, são o fim da guerra fiscal, a redução da carga tributária, a não instituição de novos tributos, novos prazos para a prescrição e decadência, a inserção do Simples Nacional no Sistema Tributário nacional, a desoneração tributária completa de investimentos e exportações, além da não-cumulatividade plena na tributação de bens e serviços e a efetivação de mais tratados internacionais para evitar a dupla tributação.

Até a reforma da previdência depende, ao menos em parte, do sucesso da reforma tributária. Sem a simplificação das normas tributárias, será impossível abrir empresas e empreender, o que certamente reduzirá a oferta de empregos, a geração de riqueza e prosperidade, e dificultará que o cidadão comum possa ter um futuro financeiramente seguro e que garanta sua sobrevivência. O povo brasileiro não precisa e nem deve pagar por mais essa conta.

Todos nós, empreendedores ou trabalhadores, precisamos nos livrar das desnecessárias amarras tributárias para, finalmente, termos a sonhada liberdade de prosperar.

*Contadora, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP)

Artigo de 25/4/2019

A contabilidade mais viva do que nunca!

Marcia Ruiz Alcazar*

Algo que tem preocupado muito o mundo corporativo é a alta taxa de mortalidade das empresas, que se dá justamente pela falta de conhecimento e aplicação de todo o potencial da Contabilidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 60% das empresas brasileiras encerram suas atividades em menos de cinco anos.

Desse modo, é necessário entender que o profissional contábil é um conselheiro da saúde financeira de qualquer gestão corporativa. Além de fornecermos informações necessárias para a prosperidade de uma empresa, também auxiliamos nos processos de concorrência, nas necessidades de aperfeiçoamento das tecnologias, bem como na globalização de mercados, sempre com a finalidade de adequar os processos de tomadas de decisão aos objetivos da empresa e à nova realidade de mercado.

Se antes a Contabilidade era vista apenas como um sistema de informações financeiras e tributárias, obrigatório em qualquer empresa, hoje é mais do que apenas análise de números e fábrica de relatórios. Nós, profissionais da contabilidade, somos responsáveis pela prosperidade de toda e qualquer gestão corporativa. Uma contabilidade ética e responsável, realizada por um profissional devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), evita a mortalidade de empresas e gera trabalho, renda e prosperidade, onde quer que esteja.

Um dia para chamar de nosso

O nosso dia nasceu pela brilhante mente do senador e Patrono dos Contabilistas, João de Lyra Tavares, que, em 25 de abril de 1926, instituiu o Dia do Contabilista Brasileiro. "Trabalhemos, pois, bem unidos, tão convencidos de nosso triunfo, que desde já consideramos 25 de abril o Dia do Contabilista Brasileiro", disse João de Lyra Tavares, na oportunidade.

No entanto, a regulamentação da profissão só aconteceu em 30 de abril de 1931, com o Decreto n.º 20.158 que oficializou as ciências contábeis no Brasil. O dia da homenagem foi oficialmente instituído em 23 de maio de 1979, pela Lei Estadual n.º 1.989. Os anos se passaram, nossa profissão evoluiu com os tempos e desde 2012, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) renomeou a data para o “Dia do Profissional da Contabilidade”.

Por definição, um profissional da contabilidade é um termo usado para se referir conjuntamente a um contador — que possui formação superior em Ciências Contábeis — e a um técnico em contabilidade — que tem formação técnica cursada durante o ensino médio. Mas a definição, por si só, não abrange a ampla gama de ocupações e funções desses profissionais dentro das empresas, muito menos resume nossa longa caminhada, pavimentada por grandes conquistas.

Neste dia 25 de abril, data tão especial para nós, temos que lembrar as inúmeras vitórias dos profissionais da contabilidade. Cito, ao menos, duas delas. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Contabilidade é uma das profissões que mais empregam no país, com 93% dos profissionais formados em Ciências Contábeis atuando no mercado. Outra conquista é a queda do mito de que a profissão contábil era território masculino. As mulheres lutaram por seu espaço e, atualmente, somos mais de 222 mil mulheres profissionais da contabilidade, de um total de 520.573 profissionais, o que representa 47% dos profissionais, em todo Brasil. No Estado de São Paulo, somamos 63.143, de um total de 151.898 profissionais.

Esta, também, é uma data de reflexões. É normal que, em tempos de inteligência artificial, questionemos a sobrevivência de algumas profissões e naturalmente isso ocorre entre os profissionais da contabilidade. Porém, a tecnologia e suas facilidades devem deixar de ser uma preocupação e passar a serem vistas como aliadas, pois apesar de auxiliarem nos preenchimentos de lacunas informacionais, jamais substituirão o olhar analítico, detalhista, responsável e humano de um profissional da contabilidade.

Uma prova de que não devemos nos preocupar com os rumores de uma possível extinção da profissão contábil é a nossa recente participação no World Congress of Accountants (WCOA 2018), em Sydney, Austrália, com a presença de quase seis mil profissionais, de 131 países. Lá, pudemos constatar e provar que a Contabilidade é uma ciência que exige estratégia, pois toda informação obtida – mesmo que seja por inteligência artificial – deverá ser conferida, analisada e aprovada pelo profissional da contabilidade. Os profissionais que se atualizarem constantemente continuarão a brilhar em suas carreiras.

Os contadores continuarão vitais para a saúde financeira e tributária das empresas, sendo responsáveis pela gestão de qualquer patrimônio com responsabilidade, zelo e transparência, seja daqui 10, 20 ou muitos anos mais. Pensando nisso, o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo vem trabalhando arduamente não só para contribuir com o desenvolvimento profissional, mas para obtermos mais conquistas para a Contabilidade paulista e para continuarmos a ser referência de ética e responsabilidade, onde quer que estejamos, sempre.

Portanto, curta seu dia com a alegria de saber que o profissional contábil é vital não só para as empresas, mas para toda a sociedade. E que a profissão contábil está mais viva do que nunca, agregando valor às empresas e aos gestores e líderes para tomada de decisão assertiva, visando resultados corporativos positivos e crescentes.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP)

Artigo de 19/3/2019

A mercantilização de serviços contábeis coloca em risco toda sociedade

Marcia Ruiz Alcazar*

Cada vez mais o mercado é invadido por soluções tecnológicas inovadoras que visam à melhoria e automação de processos até então dependentes de intervenção humana para melhorar a organização da informação e a qualidade da decisão.

Sem dúvida, isso é transformador e nós não podemos ser inocentes ao ponto de combater ou restringir avanços tecnológicos que proporcionam valor agregado, mobilidade, independência e que fortalecem a relevância técnica, científica e intelectual de uma profissão, como é a profissão contábil regulamentada em nosso país.

Porém, cada vez mais abordagens que visam à mercantilização de serviços e, o pior, que anunciam serviços genéricos como se fossem serviços contábeis, invadem as redes sociais e canais de comunicação desqualificando toda concorrência saudável e tradicional, além de colocar em risco a qualidade dos serviços para toda sociedade. Esse chavão de que no mundo das startups se pede perdão, mas não se pede permissão, é lamentável. É preciso ser responsável e, acima de tudo, respeitoso.

No Brasil, temos o privilégio de ter assegurado em nossa Carta Magna a livre concorrência, mas, por incrível que pareça, pessoas e empresas interessadas em lucrar, a qualquer custo, com recursos de investidores sem qualquer compromisso com a sociedade ou economia local, extrapolam a liberdade de expressão ao promoverem uma concorrência desleal, incentivando a prática predatória de preços, ao financiarem campanhas publicitárias que afrontam inclusive a ordem tributária ao oferecer propaganda irresponsável de pejotização através de abertura de empresa gratuita.

Infelizmente, não se trata de obra de ficção, um personagem de filme onde se pode dizer que qualquer semelhança é mera coincidência. As campanhas têm autoria, assinatura e seus criadores são profissionais de comunicação ávidos por lucro a qualquer custo, para terem um case de sucesso em busca de prêmios para promoção pessoal.

A que ponto chegamos? Quando o que mais precisamos é de estímulo ao empreendedorismo, empregabilidade e orientação à sociedade quanto à importância da contabilidade para sobrevivência das empresas vimos estratégias mercadológicas na contramão de tudo isso, colocando em risco patrimônio de pessoas inocentes que sonham ter uma empresa e usam suas economias sem ter a menor ideia dos riscos e obrigações que assumirão pra vida toda.

No Brasil, mais de 60% das empresas fecham antes de completar cinco anos. Essa pesquisa, feita pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017, mostra que a burocracia e o emaranhado de regras tributárias em que se embolam as empresas e onde os profissionais da contabilidade, que lidam com essa burocracia tributária, são obrigados a seguir 3.790 normas. Isso equivale a 5,9 quilômetros de folhas impressas, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Abrir empresa não é prerrogativa exclusiva do serviço contábil regulamentado, mas de certo o profissional da contabilidade está muito bem preparado para analisar, orientar e planejar o plano de negócios da melhor forma. Além disso, abrir empresa não é como comprar um produto em liquidação. Pejotização é crime contra a ordem tributária.

As inúmeras ações milionárias que empresas globais de tecnologia respondem pelo comércio predatório são a prova de que nem tudo que é feito em nome da inovação tem propósito social, de distribuição de renda e de concorrência leal.

Automação, integração, padronização, inteligência artificial e robôs de fato ajudam no trabalho, mas nenhum deles assume responsabilidade profissional, civil ou criminal.

A regulamentação de uma profissão protege a sociedade e, nesse sentido, o Sistema CFC/CRCs tem sido diligente ao tomar todas as medidas administrativas cabíveis à luz de uma legislação estabelecida em 1946 e que teve uma atualização importante do Código de Ética agora em 2019.

A essência do Código de Ética é mostrar a visão, missão e valores da sociedade ou de um grupo de pessoas. É a declaração formal de suas expectativas que serve para orientar as ações das pessoas e explicitar a postura destas diante dos diferentes públicos com as quais interage.

A Contabilidade é uma profissão regulamentada que tem seu exercício atrelado aos preceitos éticos estabelecidos no Código de Ética. Desta forma, ela atua como fator de proteção da sociedade. O exercício ilegal da Contabilidade, por sua vez, não segue estes princípios e, por isto, não pode ser vendido como “serviços contábeis”.

A conduta ética é muito necessária para que se atribuam valores às situações, com o fito de que a máquina continue a servir o homem (inclusive como disciplinam as Três Leis da Robótica) e nunca o contrário!

Uma sociedade organizada precisa de profissionais qualificados, registrados e devidamente regulamentados. Ainda temos muito a conquistar em termos de melhoria e autonomia no ambiente de negócios e, quanto mais inseguro for esse ambiente, mais proteção a sociedade precisará.

Automação, inteligência artificial e plataformas são sempre bem-vindas, mas acompanhadas de proteção, de segurança quanto à conformidade e responsabilidade técnica explícita e quanto à qualidade da informação. O barato sempre sai muito mais caro! Evite armadilhas!

Seu nome é seu maior patrimônio e o profissional da contabilidade devidamente registrado no CRC é o único ser humano que tem a prerrogativa legal para prestar serviços contábeis de verdade.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo

CRCSP

Artigo de 8/3/2019

Agir com o coração, um verdadeiro ato de coragem

Marcia Ruiz Alcazar*

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” Essa frase da Madre Teresa de Calcutá deve servir de inspiração para todas as mulheres que em 8 de março são homenageadas pelo Dia Internacional da Mulher.

As contadoras brasileiras podem comemorar uma importante conquista desde o dia 7 de fevereiro de 2019. Até esse dia, o profissional, independente de gênero, era designado como contador. Atendendo reivindicações das profissionais, o presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Zulmir Ivânio Breda, fez a entrega da primeira carteira com a designação contadora. Coube-me a honra de ser a primeira contadora brasileira a ter a nova carteira.

A partir de agora todas nós podemos usar a designação correta na carteira de identidade profissional do CRC como CONTADORA ou TÉCNICA em contabilidade. Para nós mulheres que já somos 47% da profissão, não é a conquista de uma simples letra A, mas tudo que está representado nesse momento, em que mais do que nunca, se faz necessário fortalecer a manifestação do feminino.

Sempre marcamos presença na Contabilidade, hoje em maior número, derrubando o mito de a contabilidade ser uma profissão para homens. O CRCSP foi criado em dezembro de 1946. Em 1947, o CRCSP registrou a primeira mulher profissional da contabilidade, Dvoira Nudelman.

Em 1958, o CFC aposentou o termo “guarda-livros”, como era designado o profissional da contabilidade, e passou a adotar o termo contabilista para “contador” e “técnico em contabilidade”. Em 1963, o CRCSP registrava sua primeira contadora, Maria Aparecida Nunes Leonel, bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Mackenzie.

No Brasil, atualmente somos 222.399 mulheres profissionais da contabilidade do total de 520.563 profissionais. No Estado de São Paulo, somamos 63.143 do total de 151.898 profissionais. Esse aumento de profissionais é reflexo da escolha da profissão: Ciências Contábeis é o 5º curso universitário mais buscado por mulheres, segundo pesquisa do Ministério da Educação (MEC).

Nas eleições do Sistema CFC/CRCs, realizadas em outubro de 2017, nós mulheres fomos candidatas em vários estados. E, pela primeira vez na história dos 27 Conselhos, fomos eleitas em sete deles: em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Roraima e Rio Grande do Sul.

No CRCSP, no Conselho Diretor, dos cinco componentes, duas são mulheres; eu sou a presidente e a conselheira Cibele Pereira Costa é a vice-presidente de Registro. Dos 72 conselheiros efetivos e suplentes, 15 são mulheres.

Em 2018, realizamos quatro edições do evento “Universo Contábil com Elas”, com o intuito de reunir profissionais mulheres, com conteúdo técnico focado no trabalho do dia a dia, dando condições de prepará-las para o mercado de trabalho. Profissionais homens também participaram desses eventos, porque são sempre bem-vindos a todas as nossas atividades. Em 2019 o “Universo Contábil com Elas” percorrerá as 25 cidades cujas delegacias do CRCSP são comandadas por mulheres.

Assim também como serão bem-vindos os profissionais, empresários e estudantes de todos os gêneros para o Fórum Estadual da Mulher Contabilista que realizaremos concomitantemente com o Summit Contábil de Santos. O evento será no dia 15 de março de 2019, no Hotel Parque Balneário, na bela cidade litorânea.

O Summit é um encontro com painéis com os temas mais atuais e de maior interesse para a classe contábil. O evento vale 6 pontos para cumprimento da NBC PG (R3), norma de Educação Profissional Continuada. Se você ainda não se inscreveu acesse agora o site convecon.com.br e venha participar.

É preciso criar oportunidades para que as mulheres empreendedoras ocupem seu espaço e mudem o panorama de negócios. Acreditamos que a manifestação do feminino elimina barreiras e cria oportunidades para homens e mulheres juntos transformarem padrões sociais, econômicos e políticos.

É preciso também ter coragem para fazer a diferença no mundo, mas não aquela coragem agressiva que todos estão acostumados, me refiro a coragem sutil vinda do próprio significado da palavra “agir com o coração”, esse sim é o verdadeiro ato de coragem.

Ao homenagearmos as mulheres neste 8 de março, desejamos além do amor, flores e respeito, que todos os direitos conquistados sejam fortalecidos. E que todos possamos seguir unidos pela paz, contra todas e quaisquer formas de violências, independente de gênero.

Um feliz Dia Internacional da Mulher para todos!

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo

CRCSP

Artigo de 5/2/2019

De guarda-livros à mineração de dados, profissão contábil se mantém em alta

Marcia Ruiz Alcazar*

A pauta do dia sempre traz questões de tecnologia, e se existe uma profissão que se transforma com a evolução da economia, sem dúvida, essa é a profissão contábil. Regulamentada no Brasil em 1946 pelo Decreto-Lei n.º 9.295, que estabeleceu prerrogativas exclusivas ao guarda-livros, hoje se destaca em um momento em que nem livros temos mais para guardar.

Somos uma das profissões com maior nível de empregabilidade. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 93% dos profissionais formados em Ciências Contábeis atuam no mercado. Um contingente com mais de 500 mil profissionais da contabilidade devidamente habilitados para exercer a profissão, o Brasil chama a atenção no cenário internacional pelo exemplo em organizar e disciplinar o exercício da profissão, contábil estabelecendo diretrizes válidas em todo o território nacional para atender as mais de 20 milhões de empresas no país. Os dados são impressionantes.

Por outro lado, o ônus de uma sociedade que está à margem e muito distante da Contabilidade resulta numa taxa de mortalidade de empresas bastante preocupante, ainda mais em um momento em que se incentiva o empreendedorismo como estratégia de sobrevivência e melhoria da empregabilidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 60% das empresas brasileiras encerram suas atividades em menos de cinco anos. Esses dados impressionam mais ainda.

Neste contexto, a obrigação dos profissionais da contabilidade aumenta significativamente, pois ao assumir a responsabilidade técnica de um novo empreendedor, assume também o desafio de prepará-lo como gestor, pois ainda temos o desgosto de enfrentar um ambiente de negócios burocrático, complexo, com tantas regras fiscais difíceis de entender, e mais complicado de explicar, para quem só quer uma renda e honrar seus compromissos com segurança e tranquilidade.

É consenso que a tecnologia a serviço da Contabilidade muito auxilia, pois possibilita que o profissional da contabilidade se desenvolva aconselhando, inspirando e alertando sobre questões do dia a dia relacionadas à performance e desafios da gestão, como se conselheiro consultivo fosse de todas as empresas que assessora.

O problema é que toda plataforma ou serviço de contabilidade digital foca muito na parte burocrática e quanto mais burocrático for o ambiente, melhor será para quem tem fome e sede em explorar esse mercado fiscal brasileiro.

Contabilidade nada tem a ver com burocracia, nota fiscal ou cálculo de impostos. O governo deveria simplificar, desburocratizar e dar condições gratuitas para que todo empreendedor possa, de forma autônoma, se relacionar com o Fisco sem intermediários.

E se não existisse a nota fiscal? Sabia que no Brasil ela é obrigatória desde 16 de novembro de 1970 pelo Decreto-Lei n.º 1.133 e surgiu com um propósito bem diferente dos dias atuais? Para hoje capturar essa informação bruta se exigem conhecimentos básicos em tecnologia, haja vista a quantidade de ferramentas no mercado pelo fato de o governo não dispor gratuitamente o acesso à informação do contribuinte. Ora, se o dado é público por que premiar novos intermediários em um processo que deveria ser transformado? Qual o sentido dessas plataformas ditas como inovadoras, e que de inovação não trazem nenhum mudança no modelo de gestão, ao contrário, desvalorizam a presença do profissional da contabilidade e colocam os empreendedores à margem de uma consultoria orientativa, comprometendo sobremaneira o seu maior patrimônio, nome no mercado, reservas financeiras e até mesmo a sua credibilidade.

O cenário possível e ideal de ser construído é acabar com a pesada burocracia da nota fiscal. Se em muitos países a emissão da nota fiscal fica a critério de cada empresa, por que isso não pode ser aplicado no Brasil? Nos Estados Unidos, o Internal Revenue Service, um dos departamentos da Receita Federal americana, exige que seja mantido o livro caixa à disposição da fiscalização. Como esse sistema é baseado na honestidade do empresário, pode-se argumentar que haverá sonegação. O ilícito existe, apesar da fiscalização rigorosa no nosso país, e não deve servir de desculpa para continuarmos com um sistema que tem provocado uma guerra fiscal predatória entre os estados brasileiros.

Contabilidade para todos deve estar na ordem do dia. Precisamos nos dar conta que a mortalidade de empresas é assustadora e a maior causa disso é a falta de entendimento de como a Contabilidade é vital para o progresso e segurança do patrimônio tanto de interesse público quanto do privado.

Ilusão é acreditar em plataformas que encantam como o canto da sereia, propondo a substituição do contador, valorizando apenas o que se chama de inteligência artificial e outras funcionalidades que devem fazer parte do dia a dia como facilitadores e não como predadores. Cuidado, porque o barato, no final, sempre sai bem mais caro! Se de graça nem injeção se toma na testa como alguém propõe ao mercado abertura de empresa gratuita? Embora essa atividade não seja uma prerrogativa dos contadores, é muito triste ver o quanto a sociedade fica refém desse tipo de abordagem predatória e de marketing agressivo como se abrir uma empresa fosse comprar um produto em liquidação. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça, que nos proíbe de criar uma tabela de referência de preços, representa toda e qualquer instituição que ameaça a livre concorrência, mas nunca comparece para combater esse tipo de abordagem predatória e que invade de forma inoportuna todos os dias as mídias digitais e de comunicação.

Lembre-se que onde tem ordem tem progresso e onde tem progresso tem contabilidade feita por profissionais devidamente habilitados e registrados com CRC regular, desde a abertura de toda empresa.

Encerro esse artigo inspirada no pensamento do escritor Elbert Hubbard: “Uma máquina consegue fazer o trabalho de 50 homens ordinários. Nenhuma máquina consegue fazer o trabalho de um homem extraordinário”.

Os profissionais da contabilidade são extraordinários. Valorize seu registro profissional, ele é o seu maior patrimônio e tenha orgulho de ter CRC e pertencer a uma das profissões mais respeitadas e valorizadas desde os primórdios da humanidade.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP), contadora CRCSP 160313.

Artigo de 4/1/2019

Contadores dispostos à mudança tem um futuro próspero

Marcia Ruiz Alcazar*

Começamos 2019 com tudo novo: novo governo, novas propostas para que o Brasil siga o caminho do desenvolvimento, com as reformas que se fazem necessárias e a diminuição dos gastos do governo. Apoiamos uma política tributária mais justa, o combate à corrupção e a aplicação dos recursos públicos de forma correta e transparente, como quer o novo governo.

Nós contadores temos as informações e os instrumentos de controle que podem ajudar a passar a limpo as contas públicas, alicerçadas na governança, no compliance, nas práticas regulatórias, com responsabilidade e ética.

De tempos em tempos, aparecem notícias profetizando que esta ou aquela profissão vai acabar. De fato, com a evolução tecnológica, muitos profissionais acabaram perdendo seus cargos – caso das telefonistas, dos acendedores de lampiões ou dos vendedores de enciclopédias.

Certamente, não é o caso dos profissionais da contabilidade. Apesar de já estarmos em plena 4ª Revolução Industrial, com emprego de inteligência artificial, o trabalho do profissional da contabilidade requer continuidade da aprendizagem, empatia com o cliente e decisões analíticas.

Não apenas não seremos extintos como pudemos comprovar na nossa recente participação no World Congress of Accountants (WCOA 2018), em Sydney, Austrália, com a presença de quase 6.000 profissionais de 131 países presentes, que a contabilidade é uma ciência que exige estratégia, pois toda informação obtida – mesmo que seja por inteligência artificial – terá que ser conferida, analisada e chancelada pelo profissional da contabilidade.

Nós queremos contribuir para uma política econômico-social nova para o nosso país porque somos uma profissão que passou por uma série de mudanças que ajudaram a melhorar nosso desempenho profissional, contribuiu para o crescimento dos empreendimentos e pode ajudar a salvar nosso país!

Os contadores passaram de relevantes a essenciais. Somos profissionais de tomada de decisão e não apenas de organização da informação, pois esta já está sendo estruturada e organizada pelas plataformas de reconhecimento digital da informação, os Robotic Process Automation (RPA), a Artificial Intelligence (AI), a Internet of Things (IOT), entre tantas outras soluções tecnológicas exponenciais.

Se o mundo não acabou no ano 2000 como alguém pode afirmar que a profissão contábil vai acabar em poucos anos? Em 1946 conquistamos a regulamentação da profissão contábil em nosso país como guarda-livros e hoje, nem livros temos mais para guardar.

Que a transformação sempre presente em nossas vidas traga a simplificação desejada e que a automatização de processos impacte positivamente na vida de todos os contadores.

Um Brasil melhor precisa de mais contadores habilitados colaborando com um ambiente de negócios muito mais harmonizado e menos burocrático. Uma sociedade qualificada entende e respeita a contabilidade e não a confunde com burocracia brasileira.

Contabilidade evidencia, revela, sinaliza, demonstra, inspira, simplifica a vida e dá condições plenas para que todo e qualquer patrimônio seja gerido com responsabilidade, zelo e transparência.

Quem procura só preço e compara a contabilidade a qualquer coisa chata com certeza arca com o ônus em ignorar como nós contadores somos protagonistas em atuarmos com transparência na proteção do interesse público.

Onde há ordem existe progresso e onde há progresso tem sempre contabilidade reconhecida, valorizada e feita por profissionais da contabilidade devidamente habilitados.

Não existe fé pública e nem fé tecnológica sem a presença do profissional da contabilidade. Nada substitui a essência existente na subjetividade das decisões. Essa capacidade humana todos nós profissionais da contabilidade já detemos e precisamos sempre nos orgulhar de ter um CRC.

*Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP).

Este espaço é dedicado a artigos escritos pela presidente do CRCSP, Marcia Ruiz Alcazar. Temas atuais e de interesse da área contábil são abordados de maneira mais aprofundada, com o intuito de levar mais informação ao leitor e promover reflexões.